Vorcaro e ex-presidente do BRB divergem em acareação da PF durante depoimento realizado em 30 de dezembro de 2025, quando Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR) confrontaram as versões sobre a origem das carteiras de crédito do Banco Master que o Banco de Brasília (BRB) pretendia adquirir.
Vorcaro e ex-presidente do BRB divergem em acareação da PF
Contradições sobre a origem das carteiras
Na sessão conduzida por determinação do ministro Dias Toffoli, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que as carteiras ligadas à empresa Tirreno eram formadas por “investimentos de terceiros” e, portanto, não pertenciam ao Master. Segundo ele, essa condição foi explicitada ao BRB durante todas as tratativas: “Anunciamos que venderíamos créditos originados por terceiros, não mais créditos próprios”, declarou.
Paulo Henrique Costa, que presidiu o BRB entre 2019 e 2023, deu versão oposta. Para o executivo, os créditos eram originados pelo próprio Master, revendidos a terceiros e depois recomprados antes da negociação com o banco público do Distrito Federal. A inconsistência é considerada ponto-chave pelas autoridades para apurar eventual fraude na avaliação dos ativos.
PF vê Tirreno como empresa de fachada
De acordo com relatório da PF, a Tirreno operava como veículo de fachada para simular compras e vendas de carteiras, mascarando a real titularidade dos créditos. A suspeita ganhou força porque as transações teriam sustentado tentativas de inflar o valor de mercado do Master às vésperas da oferta ao BRB.
Inquérito permanece no STF
Em dezembro de 2025, Toffoli decidiu que o inquérito continuaria no Supremo Tribunal Federal, após a citação de um deputado federal nos autos. O foro privilegiado do parlamentar impede que o caso retorne à 10ª Vara Federal de Brasília, onde tramitava inicialmente.
Operação Compliance Zero e liquidação do Master
A acareação decorre da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. Na ocasião, Vorcaro e outros executivos foram alvo de mandados por suspeita de conceder R$ 17 bilhões em créditos falsos. Pouco depois, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Master, alegando perigo à estabilidade do sistema financeiro.
No mesmo procedimento, investigadores examinam se houve tentativa de venda do banco ao BRB com base em informações contábeis distorcidas. Caso confirmadas, as irregularidades podem caracterizar crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.
Próximos passos da investigação
Com as declarações contraditórias registradas, PF e PGR devem confrontar documentos apreendidos em buscas anteriores, além de solicitar novas quebras de sigilo para rastrear a cadeia de titularidade dos créditos. A expectativa é concluir a fase investigativa ainda no primeiro semestre de 2026, quando o relatório final será enviado ao STF para eventual denúncia.
Para acompanhar os desdobramentos desse e de outros casos no Judiciário, acesse a editoria de Justiça e continue informado.
Crédito da imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil
Fonte: Rovena Rosa/Agência Brasil
