Caso Henry Borel: decisão do júri deve sair até quinta mobiliza o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro no mais longo julgamento já registrado na Corte, que chega ao décimo dia dedicado a debates finais entre acusação e defesa.
Debates encerram fase de provas
Iniciado em 25 de maio, o júri popular que apura a morte do menino Henry Borel, de 4 anos, entrou na etapa derradeira de sustentações orais. O promotor Fábio Vieira dos Santos, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), abriu os trabalhos reafirmando a tese de que o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o dr. Jairinho, agrediu a criança em 8 de março de 2021, enquanto a mãe, Monique Medeiros, teria sido omissa.
Mais de dois terços do tempo da acusação foram reservados para apontar suposta conivência de Monique. Segundo o Ministério Público, “uma mãe não precisa ter certeza para agir e proteger”, lembrando frases do próprio menino que, em vida, teria relatado agressões ao padrasto.
Defesas contestam ferimentos e omissão
Na sequência, o advogado Hugo Novais sustentou que Monique “não teve como perceber um sinal de SOS do filho”. Sua colega de banca, Florence Rosa Faria dos Santos, negou que a ré buscasse “vida de luxo” e citou investigação policial que indicaria omissão da babá ao relatar um episódio de supostas agressões em 2 de fevereiro.
A defesa de Jairinho, conduzida por Fabiano Lopes e Zanone Manuel de Oliveira Júnior, aventou possibilidade de lesão anterior, atribuída a um acidente de carro enquanto Henry estava com o pai biológico, Leniel Borel. Os advogados falaram até em “plano de vingança” envolvendo o Instituto Médico Legal, que atestou laceração hepática por ação contundente como causa da morte.
Quando sai o veredito do Caso Henry Borel
Após tréplica da defesa, os sete jurados — cinco homens e duas mulheres — serão levados à sala secreta para responder o tradicional questionário. Pessoas próximas ao processo acreditam que a juíza Elizabeth Machado Louro permita breve pausa aos réus antes da votação, o que empurraria o anúncio da decisão para a madrugada ou manhã de quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi no estado.
Em caso de condenação, os réus deixam o plenário já presos. Recurso só será possível por nulidade posterior, contrariedade à lei, erro na dosimetria da pena ou decisão manifestamente contrária às provas, conforme prevê o Conselho Nacional de Justiça.
No intervalo de quase duas semanas, o conselho de sentença permaneceu isolado, com pausas apenas para refeições e pernoite, prática similar a outros júris de grande repercussão nacional.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
