Tarifas dos EUA a produtos brasileiros são ilegítimas, diz Mauro Vieira
Tarifas dos EUA a produtos brasileiros são ilegítimas, diz Mauro Vieira — Em Paris, durante reunião ministerial da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou ter apresentado às autoridades norte-americanas provas de que os argumentos usados por Washington para sobretaxar exportações do Brasil “não são legítimos”.
Brasil rebate justificativas apresentadas por Washington
Vieira reuniu-se com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, paralelamente ao encontro da OCDE. Segundo o chanceler, documentos entregues ao governo norte-americano mostram que duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) foram concluídas antes do prazo acertado entre os presidentes dos dois países, em maio, violando o cronograma pactuado.
No relatório divulgado pelo USTR no início de junho, Washington recomenda tarifa de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros, citando “atos, políticas e práticas” tidos como irrazoáveis ou discriminatórios. A investigação examinou temas como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, concessão de tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
“Entregamos todas as informações necessárias e esperamos que fique comprovado que não há motivo para a imposição de tarifas”, declarou Vieira, reiterando que os argumentos elencados pelos EUA já foram contestados ponto a ponto pelo Itamaraty e pelos ministérios técnicos brasileiros.
Agenda paralela inclui União Europeia, Coreia do Sul e Canadá
Além do diálogo com Greer, o chanceler brasileiro manteve encontros bilaterais com o comissário de Comércio e Segurança Econômica da União Europeia, Maros Sefcovic, quando trataram da implementação do acordo Mercosul-UE, em vigor desde maio. Vieira também conversou com o ministro do Comércio da Coreia do Sul, Yeo Han Koo; com o ministro do Comércio Exterior do Canadá, Maninder Sidhu; com o presidente da Suíça, Guy Parmelin; e com o chanceler da República Tcheca, Petr Macinka.
Segundo fontes do Itamaraty, a estratégia brasileira é reforçar o compromisso com regras multilaterais e demonstrar que as medidas propostas pelos Estados Unidos contrariam compromissos assumidos na Organização Mundial do Comércio. Informações adicionais sobre a nota do governo norte-americano podem ser consultadas no site oficial do USTR.
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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
