EUA evitam acordo nuclear com Irã, avaliou o embaixador iraniano no Brasil, Abdollah Nekounam, durante coletiva de imprensa realizada na embaixada em Brasília, na última segunda-feira (2 de março).
EUA evitam acordo nuclear com Irã, afirma embaixador
Segundo o diplomata, Washington “nunca buscou genuinamente” um entendimento sobre o programa atômico iraniano. Ele relatou que uma reunião de peritos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), prevista para Viena, voltou a ser inviabilizada “por pressões dos Estados Unidos e do regime sionista”, expressão com a qual se referiu a Israel.
Nekounam qualificou as tratativas nucleares como “farsa” destinada, na verdade, a promover mudança de regime em Teerã. “Os Estados Unidos se comportam como donos do mundo e o presidente Trump se imagina rei”, declarou, acrescentando que a República Islâmica “busca independência há 47 anos”.
O embaixador também lembrou que, após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, um Conselho de Liderança Interino assumiu imediatamente o comando do país, mantendo “defesa contínua, firme e poderosa” sem lacunas na cadeia de comando.
Para analistas consultados pela Agência Brasil, a pressão norte-americana teria como objetivos conter a expansão econômica chinesa e reforçar a hegemonia israelense no Oriente Médio. Tel Aviv e Washington justificam recentes ataques ao Irã como “preventivos”, sob a alegação de que Teerã buscaria armas atômicas. O governo iraniano, contudo, sustenta que seu programa é exclusivamente pacífico.
Ao criticar a legitimidade moral dos EUA, Nekounam citou os arquivos do caso Jeffrey Epstein, argumentando que “quem ultrapassou as fronteiras da humanidade não deve administrar o planeta”. Ele mencionou ainda a proximidade de Epstein com figuras da elite política norte-americana, entre elas o ex-presidente Donald Trump.
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Durante a coletiva, o diplomata agradeceu a nota do Itamaraty que condenou o uso da força por Israel e pelos EUA. “Vemos essa manifestação como reforço aos valores de soberania, integridade territorial e independência dos povos”, afirmou.
Nekounam defendeu o direito do Irã de revidar ataques, explicando que alvos militares norte-americanos em países como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Jordânia foram atingidos “sem ferir a soberania” dessas nações. “Estamos nos defendendo em bases estrangeiras, não em territórios nacionais”, declarou.
O representante também recordou que, em 2018, os EUA abandonaram o acordo de 2015 que previa inspeções internacionais no programa nuclear iraniano. No segundo mandato de Trump, Washington passou a exigir o desmonte do programa de mísseis balísticos e o fim do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah. Ainda assim, o chanceler de Omã, mediador das conversas, havia informado que as partes “estavam próximas de um novo entendimento” antes da ofensiva mais recente.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirma que inspeções no Irã ocorreram regularmente até a retirada americana, conforme registros disponíveis em seu site oficial (iaea.org).
Em síntese, o embaixador iraniano alega que a postura norte-americana impede qualquer avanço negociado, enquanto Teerã prossegue na defesa de seu programa pacífico e de sua soberania nacional.
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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
