Brasil não assina comunicado sobre Venezuela em cúpula do Mercosul — Brasil e Uruguai optaram por não endossar a carta liderada pela Argentina que pede o restabelecimento da democracia e o respeito aos direitos humanos na Venezuela, divulgada à margem da cúpula do Mercosul realizada em 20 de dezembro, em Foz do Iguaçu (PR).
Brasil não assina comunicado sobre Venezuela em cúpula do Mercosul
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que um documento do Mercosul sem menção explícita à presença militar norte-americana no Caribe poderia ser interpretado em Washington como apoio tácito a uma intervenção armada. O presidente uruguaio, Yamandú Orsi, adotou posição semelhante.
O comunicado, assinado pelos presidentes Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai) e José Raúl Mulino (Panamá), além de altas autoridades de Bolívia, Equador e Peru, expressa “profunda preocupação” com a crise migratória, humanitária e social venezuelana. O texto reafirma a vigência do Protocolo de Ushuaia, que prevê sanções a países do bloco em ruptura democrática, e exige a libertação de presos políticos.
A Venezuela, suspensa do Mercosul desde 2017 por quebra da ordem democrática, enfrenta embargo de petróleo dos Estados Unidos, que não reconhecem Nicolás Maduro como líder legítimo desde 2019. A Casa Branca intensificou operações navais na região alegando combate ao narcotráfico, enquanto Caracas denuncia objetivo de controle das reservas petrolíferas nacionais. Um relatório recente da ONU reforçou denúncias de violações de direitos humanos no país caribenho.
Em conversas telefônicas anteriores à cúpula, Lula dialogou tanto com Maduro quanto com Donald Trump buscando solução diplomática. Durante seu discurso em Foz do Iguaçu, o brasileiro alertou que uma intervenção militar resultaria em “catástrofe humanitária” e criaria precedente perigoso na região.
Já Milei classificou Maduro como “narcoterrorista” e elogiou a pressão norte-americana, afirmando que “o tempo da timidez acabou”. O atrito expôs o racha interno no Mercosul, bloco fundado em 1991 por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
O governo brasileiro mantém cautela ao tratar das eleições venezuelanas de julho de 2024 e evita reconhecer publicamente o resultado. Assessores de Lula defendem que qualquer pronunciamento regional inclua rejeição explícita a soluções militares externas.
A decisão brasileira reacende o debate sobre os rumos do Mercosul e suas cláusulas democráticas. Para acompanhar outras análises de política externa, visite nossa editoria Internacional e continue informado.
Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
