Programa de combate ao crime organizado do governo foca na asfixia financeira
Programa de combate ao crime organizado do governo foca na asfixia financeira. O Ministério da Justiça e Segurança Pública finaliza os detalhes do plano Brasil Contra o Crime Organizado, que será lançado nos próximos dias para desarticular financeiramente facções e seus colaboradores, conforme anunciou o ministro Wellington César Lima.
Eixo central: sufocar recursos ilícitos
Em entrevista coletiva concedida na última quinta-feira (16 de abril), o ministro explicou que a iniciativa reunirá operações de inteligência e integração entre órgãos federais, estaduais e municipais. A estratégia repete o modelo das ações Carbono Oculto e Compliance Zero, que identificaram infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado financeiro e investigam fraudes envolvendo instituições bancárias.
O secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas, ressaltou que o foco será “atacar o andar de cima”, mirando empresários, investidores e agentes públicos que lavam ou movimentam capitais de origem criminosa. “Não adianta enfrentar a violência apenas nas comunidades; precisamos seguir o dinheiro”, afirmou.
Alinhamento com a Lei Antifacção
O decreto que institui o Brasil Contra o Crime Organizado está alinhado à Lei Antifacção, sancionada no mês anterior. A norma amplia penas para participação em organizações criminosas, facilita a apreensão de bens e restringe benefícios penais a líderes de facções. Além disso, determina que esses chefes cumpram pena em presídios de segurança máxima.
Para Francisco Lucas, a nova legislação “dá o ferramental jurídico” que faltava para sufocar financeiramente as organizações. Segundo ele, a combinação entre a lei e o programa permitirá bloquear rapidamente contas, imóveis e outros ativos dos envolvidos.
Integração de dados e operações conjuntas
O plano federal prevê a criação de um centro integrado de inteligência, responsável por cruzar informações da Polícia Federal, Receita, Banco Central e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A meta é acelerar a produção de relatórios que embasem bloqueios judiciais e prisões preventivas.
Especialistas consultados por veículos de referência apontam que operações como a Compliance Zero, citada oficialmente pela pasta, já demonstraram a eficácia da cooperação entre forças de segurança e órgãos de regulação financeira.
Próximos passos
O ministro Wellington César Lima adiantou que, após o lançamento, haverá reuniões regionais para detalhar protocolos de ação com secretarias estaduais. As primeiras operações sob a nova diretriz devem ocorrer ainda neste semestre, priorizando estados com maior incidência de crimes de lavagem de dinheiro.
Autoridades pretendem apresentar métricas públicas de desempenho, como valores bloqueados e número de prisões, para garantir transparência e aperfeiçoar o programa ao longo do tempo.
Com a promessa de sufocar financeiramente as facções, o governo reforça a aposta em inteligência e integração como ferramentas centrais na segurança pública. Leia mais análises e atualizações na nossa editoria de Justiça e acompanhe a cobertura completa.
Crédito da imagem: Tom Costa/MJSP
Fonte: Agência Brasil
