Lula retalia EUA ao determinar a retirada das credenciais diplomáticas de um agente de imigração norte-americano que atuava na sede da Polícia Federal (PF) em Brasília, aplicando o princípio de reciprocidade após medida semelhante adotada por Washington contra um delegado brasileiro.
Reciprocidade motiva reação brasileira
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pela decisão que afasta o representante dos Estados Unidos. “Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles, esperando que as conversas voltem à normalidade”, declarou Lula, acompanhado do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
A medida brasileira responde à determinação do governo norte-americano que expulsou o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, lotado na PF, após sua participação na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em território norte-americano.
Itamaraty critica falta de diálogo
O Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de nota publicada na rede X, que comunicou a representante da embaixada dos EUA sobre a aplicação imediata do princípio de reciprocidade. O texto afirma que a decisão norte-americana foi “sumária” e descumpriu acordo bilateral de cooperação policial, além de ignorar “boa prática diplomática” entre países aliados há mais de dois séculos.
Segundo o MRE, o agente norte-americano atuava amparado por um memorando de entendimento assinado pelos dois governos para facilitar o intercâmbio de oficiais de ligação em segurança pública.
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Entenda a prisão de Ramagem
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA confirmou, em comunicado divulgado recentemente, o pedido de saída do delegado brasileiro envolvido na custódia de Alexandre Ramagem. O ex-deputado, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, foi detido em abril na cidade de Orlando graças à cooperação policial internacional. Ramagem chegou a passar dois dias preso na Flórida e, após alvará de soltura, aguarda eventual processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro em dezembro de 2025.
Para especialistas ouvidos pela BBC, o incidente evidencia tensões pontuais, mas não deve comprometer a parceria estratégica Brasil-EUA em segurança.
Reforço no combate ao crime organizado
No mesmo pronunciamento, Lula anunciou a contratação de 1.000 novos agentes da Polícia Federal, que atuarão em portos, aeroportos e fronteiras. A iniciativa, segundo o presidente, integra o plano de fortalecimento das ações contra o crime organizado e se soma a investimentos em inteligência e tecnologia.
O governo brasileiro aguarda agora sinalização de Washington para restabelecer o diálogo policial em bases que respeitem o princípio da reciprocidade e os acordos vigentes.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
