A Fifa registrou cerca de US$16 bilhões na Copa 2026, mais que o dobro de 2022, impulsionada pelo modelo de negócios dos EUA. Em Miami, imagens de David Beckham com vinho mostraram a transformação do torneio em espetáculo de entretenimento.
No Estádio de Miami, Brasil e Escócia se enfrentaram em um dos jogos da Copa do Mundo. O ex-craque David Beckham foi flagrado em imagens que viralizaram, bebendo um copo de vinho e acenando para os fãs. Essa cena não foi apenas um momento de descontração, mas uma estratégia de marketing que evidenciou a transformação da Copa do Mundo em um grande evento de entretenimento.
A Copa do Mundo de 2026 se destacou por alcançar receitas de aproximadamente US$ 16 bilhões, um valor mais do que o dobro dos cerca de US$ 7 bilhões obtidos na edição anterior, realizada no Catar. Esse crescimento é atribuído ao modelo de camarotes VIPs, inspirado na National Football League (NFL), que elevou a experiência do torcedor a um novo patamar.
Os camarotes, que se tornaram os espaços mais caros do evento, foram projetados para oferecer uma experiência diferenciada, similar ao que ocorre em jogos da NFL, onde a hospitalidade é uma parte fundamental das receitas. Serviços como suítes de luxo, ingressos para áreas VIP e acesso a lounges exclusivos são apenas algumas das opções disponíveis para os convidados.
Segundo Meyer Nigri, diretor executivo da FourMidiaEmFoco, essa mudança representa uma evolução significativa na forma como a Copa do Mundo é percebida: “Vejo esse movimento como uma transformação da Copa do Mundo: ela deixa de ser apenas um evento esportivo e passa a ser uma grande plataforma global de entretenimento e experiência”.
A presença de Beckham e outras celebridades não apenas atraiu atenção, mas também gerou um impacto comercial considerável. Marcas como Adidas, Bank of America, Lay’s e McDonald’s utilizaram sua imagem durante o evento, o que, segundo estimativas, poderia render a Beckham cerca de US$ 25 milhões em campanhas publicitárias.
O modelo de negócios adotado pela Fifa para a Copa de 2026 se assemelha ao que ocorre no Super Bowl, onde não se vende apenas um jogo, mas uma plataforma de entretenimento que integra esporte, celebridades e publicidade. A Copa deste ano também trouxe inovações, como a realização do torneio em três países — EUA, México e Canadá — e a participação de 48 seleções, ampliando o número total de partidas para 104.
Essas mudanças não apenas aumentaram a visibilidade do evento, mas também o potencial de gerar receitas em um dos maiores mercados esportivos do mundo. A Fifa aproveitou a infraestrutura existente nas cidades-sede sem a necessidade de construir novos estádios, adaptando arenas já consagradas, como as da NFL.
O Bank of America, por exemplo, se tornou o primeiro patrocinador global da Fifa na categoria bancária, aproveitando a oportunidade para consolidar sua imagem no mercado. Para as instituições financeiras, a Copa representa uma chance valiosa de engajamento com clientes e promoção de produtos, além de experiências exclusivas para os torcedores.
