O mês de maio foi desastroso para a bolsa de valores brasileira, que registrou a maior saída de investidores estrangeiros desde 2023. Até o dia 27 de maio, os estrangeiros retiraram impressionantes R$ 14,1 bilhões do mercado, o que contribuiu para a queda de 7,22% do Ibovespa no acumulado do mês. Essa situação culminou no fechamento da sexta-feira, 29 de maio, com o índice em 173.787,49 pontos, marcando a sétima semana consecutiva de resultados negativos.
A sequência de quedas semanais igualou um recorde histórico negativo que não era visto desde 2004. O ambiente de incertezas em relação ao cenário fiscal e o ritmo lento de redução da taxa Selic, promovido pelo Banco Central, têm impactado diretamente o desempenho do mercado financeiro local.
Em contraste com as ações, o dólar comercial teve uma leve alta de 0,24%, encerrando o dia cotado a R$ 5,0453. No acumulado de maio, a moeda americana valorizou-se em 1,82%, refletindo a busca dos investidores por maior segurança em tempos de instabilidade.
A deterioração das contas públicas e o aumento dos gastos do governo federal, especialmente em um ano eleitoral, acenderam um alerta nas instituições financeiras. O banco suíço UBS, por exemplo, rebaixou sua recomendação para as ações brasileiras de atrativas para neutras, indicando que a piora no equilíbrio entre risco e retorno pode limitar os ganhos na bolsa até as eleições majoritárias programadas para outubro.
Os analistas do Itaú BBA observaram que o Ibovespa está em uma tendência de queda livre e alertaram que, se o índice cair abaixo dos 173.500 pontos nos próximos pregões, a perda de lucros pode se intensificar ainda mais.
De acordo com especialistas do mercado, a preferência dos investidores internacionais tem se deslocado para mercados mais seguros e rentáveis, como os de tecnologia nos Estados Unidos e na Ásia, deixando o Brasil em segundo plano. Essa movimentação reflete a atual aversão ao risco, que tem sido exacerbada por fatores internos e externos que afetam a confiança no mercado brasileiro.
