O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, anunciou na última quinta-feira, 28 de maio, que não irá mais concorrer ao Senado Federal pelo Partido Progressista (PP). Castro explicou que a decisão foi fruto de uma profunda reflexão pessoal e familiar, principalmente após semanas de intensa exposição pública, repletas de acusações e ataques que afetaram não apenas sua carreira política, mas também sua vida pessoal.
Cláudio Castro destacou que deseja agora focar em sua defesa e esclarecer as acusações que lhe foram imputadas, reafirmando sua confiança na legalidade de todos os atos realizados durante sua trajetória pública. “Devo concentrar integralmente meus esforços na apresentação de minha defesa e no completo esclarecimento das acusações que vêm sendo feitas”, declarou.
“A decisão foi tomada após profunda reflexão pessoal e familiar, diante das últimas semanas marcadas por forte exposição pública”, disse Castro.
O anúncio de sua desistência ocorre em um contexto delicado, já que o ex-governador tem sido alvo de várias operações da Polícia Federal. As investigações apuram seu suposto envolvimento em fraudes financeiras, particularmente relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Na terça-feira, 26 de maio, Castro foi alvo da oitava fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros ligados ao Rioprevidência, o fundo de previdência dos servidores do estado.
As investigações apontam que mais de R$ 3 bilhões do Rioprevidência foram aplicados no Banco Master, e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a busca e apreensão na residência de Castro, com base em indícios de que ele teria desempenhado um papel crucial na viabilização desses aportes, em troca de vantagens indevidas.
Além disso, há 15 dias, Castro também foi alvo de outra operação da PF, que investiga irregularidades no setor de combustíveis, incluindo a Refinaria de Manguinhos. Enquanto isso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agendou para o dia 2 de junho o julgamento do recurso apresentado por Castro, contestando a decisão que o declarou inelegível até 2030. Essa condenação levou à determinação de eleições indiretas para um mandato-tampão, algo que o PSD contestou, pleiteando eleições diretas.
Na véspera do julgamento, Castro optou por renunciar ao mandato, uma ação considerada por muitos como uma manobra para facilitar a realização das eleições indiretas, em detrimento do voto popular.
