Cão Orelha: protesto em SP exige punição a agressores Manifestantes se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, para pressionar as autoridades a responsabilizar quatro adolescentes investigados pela tortura que levou à morte do cão vira-lata Orelha, atacado na Praia Brava, litoral catarinense, em 4 de janeiro.
Cão Orelha: protesto em SP exige punição a agressores
Com roupas pretas e camisetas que estampavam a imagem do cão Orelha, centenas de pessoas ocuparam o vão livre do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) logo às 10h. O ato, que se estendeu até o início da tarde, ecoou palavras de ordem como “Não são crianças, são assassinos!” e “Não vai cair no esquecimento!”, enquanto cartazes defendiam a redução da maioridade penal para crimes violentos.
O animal, cuidado por moradores da Praia Brava, sofreu agressões graves em 4 de janeiro e não resistiu, sendo submetido à eutanásia no dia seguinte. A repercussão do caso reacendeu o debate sobre punições mais severas para maus-tratos e a responsabilização de menores de idade.
A psicóloga Luana Ramos, presente ao protesto, argumentou que adolescentes de 16 anos já têm maturidade para responder criminalmente por atos de extrema violência. “Se fossem quatro meninos pretos, teriam sido linchados. Os quatro meninos brancos, ricos, estão indo viajar. Isso não pode mais acontecer”, afirmou.
Os pais de dois dos investigados e um tio são acusados de tentar coagir testemunhas, segundo a Polícia Civil catarinense, intensificando a insatisfação popular. As famílias continuam negando intenção de crueldade, classificando o episódio como “erro”, versão rechaçada pelo público presente.
A advogada Carmen Aires compareceu com a filha e dois cães adotados. Ela avalia as atuais penas previstas na Lei 14.064/2020, conhecida como Lei Sansão, como insuficientes. “As punições são brandas; a lei precisa ser revista porque atrocidades continuam acontecendo”, disse, lembrando que a norma prevê reclusão de até cinco anos para maus-tratos contra cães e gatos.
A ONG Ampara Animal, citada no ato, destaca em materiais educativos a correlação entre violência contra animais e violência doméstica. “O índice de agressões só diminui quando há punição exemplar e educação continuada”, informa a entidade.
Turistas que passavam pela Paulista também aderiram espontaneamente. O publicitário Almir Lemos considerou “sádico” o crime e criticou tentativas de abafar o caso. “Hoje foi um cachorro; amanhã pode ser uma pessoa”, alertou. A psicóloga Thayná Coelho, que o acompanhava, apontou privilégios de classe e cor na percepção de impunidade: “Homens brancos de classe média acham que o mundo pertence a eles”.
Durante o protesto, grupos de proteção animal distribuíram folhetos com orientações sobre como registrar denúncias. Segundo o Ministério da Justiça, casos de maus-tratos podem ser comunicados pelo Disque 181 ou via delegacias especializadas. Informações sobre a Lei Sansão estão disponíveis no portal do Governo Federal (gov.br).
No encerramento, os organizadores prometeram novos atos até que o Ministério Público conclua a análise do procedimento que investiga os adolescentes por ato infracional análogo a maus-tratos.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
