PL reúne-se nesta terça (3), às 18h, em Brasília, para traçar a estratégia eleitoral para 2027. Há tensão entre apoio a reconduções e quem defende candidaturas próprias às mesas do Congresso.
O Partido Liberal (PL) deve se reunir nesta terça-feira, 3, às 18 horas, em Brasília, para definir a estratégia sobre as eleições às presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, previstas para fevereiro de 2027. O encontro acontece em meio a articulações que incluem a possibilidade de recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara e de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no Senado.
A legenda, que terá as maiores bancadas do Congresso Nacional na próxima legislatura, enfrenta divergências internas sobre o caminho a seguir. Parte dos parlamentares defende candidaturas próprias; outra ala avalia negociar apoio a Motta na Câmara para garantir espaço na divisão de cargos e no comando de comissões parlamentares.
O PL elegeu 121 deputados federais e deverá contar com 29 senadores a partir de fevereiro. Essa nova composição amplia o peso do partido nas negociações, mas não assegura automaticamente a conquista das presidências das duas Casas.
As discussões desta terça devem anteceder uma reunião mais ampla das bancadas, marcada para quarta-feira, 4, quando o partido poderá formalizar sua posição sobre eventuais apoios e candidaturas.
No caso da Câmara, o principal impasse gira em torno da possibilidade de apoiar a reeleição de Hugo Motta. Segundo o texto que circula entre parlamentares, Motta já teria o respaldo de partidos do Centrão e de setores da esquerda, incluindo o PT, que anunciou resistência à eventual entrada do PL no bloco de apoio ao parlamentar.
Uma ala do PL, próxima ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, considera que um acordo pode evitar o isolamento do partido na distribuição de cargos da Mesa Diretora e nas presidências de comissões importantes. Por outro lado, deputados de oposição dentro do próprio PL resistem à ideia de alinhamento automático.
“Minha posição está definida: não contem com meu apoio a Hugo Motta ou Davi Alcolumbre como parte de acordos por cargos e conveniências políticas”
O trecho acima foi divulgado por um deputado do PL que anunciou intenção de disputar a presidência da Câmara caso a legenda não apresente um candidato competitivo. No Senado, o partido trabalha com a possibilidade de lançar Rogério Marinho (PL-RN), considerado liderança da oposição, para concorrer contra Alcolumbre. O nome é defendido por aliados que avaliam ser necessário apresentar uma alternativa clara à recondução.
Também estão na disputa nomes como Tereza Cristina (PP-MS), que mantém intenção de concorrer à presidência do Senado. Integrantes da oposição articulam uma candidatura de consenso para evitar a dispersão dos votos contrários à recondução de Alcolumbre, cuja vitória dependerá de pelo menos 41 votos em votação secreta.
As eleições para as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado ocorrerão em 1º de fevereiro de 2027, quando os deputados e senadores eleitos em outubro tomarão posse. Até lá, o calendário seguirá ditando prazos e acordos entre as bancadas e partidos envolvidos.
