Direita e esquerda se enfrentam no segundo turno colombiano. O resultado pode mudar os rumos do país, marcado pela violência e divisão política desde o primeiro turno.
Neste domingo, 21 de junho, a Colômbia realizará o segundo turno das eleições presidenciais, onde um advogado sem experiência política e apoiado por Donald Trump disputará a presidência com um senador da esquerda. O resultado dessa eleição poderá determinar se o país seguirá um caminho de direita ou manterá o atual rumo em meio a uma crescente onda de violência.
No primeiro turno, realizado em 31 de maio, ficou evidente o estado fragmentado em que se encontra a Colômbia. Agora, a disputa será entre Abelardo de la Espriella, representante da direita, e Iván Cepeda, um senador de esquerda, ambos em busca do apoio da população.
O presidente Gustavo Petro, que não pode se reeleger, finalizará seu governo com uma alta popularidade, especialmente entre as classes mais baixas. Durante seu mandato, houve uma redução da pobreza, aumento nos salários e diminuição do desemprego em um dos países mais desiguais do mundo. Contudo, muitos o responsabilizam pela pior onda de violência da última década, caracterizada por atentados com carros-bomba e assassinatos.
“A única coisa que peço é que o próximo presidente imponha pulso firme (…) Há insegurança demais”, comentou Ariel Jamaica, um militar aposentado de 48 anos, refletindo a preocupação de muitos colombianos.
Abelardo de la Espriella, conhecido como “El Tigre”, busca capitalizar a rejeição ao governo de Petro. Ele é um milionário de 47 anos, normalmente protegido por um colete à prova de balas, e promete uma linha dura no combate às guerrilhas e ao narcotráfico, que dominam a produção de cocaína no país.
Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
No primeiro turno, De la Espriella teve uma vitória apertada sobre Cepeda, que é um defensor dos direitos humanos e uma figura importante nas políticas de paz propostas por Petro. O segundo turno será um referendo sobre a gestão do primeiro governo de esquerda da Colômbia.
“Os dois lados têm seguidores muito fervorosos (…) mas há outra parte do país que está votando por medo do outro modelo”, analisou Julián López, especialista em política colombiana.
A eleição se desenrola em um contexto de polarização intensa, onde as emoções superam muitas vezes as propostas políticas. Os colombianos enfrentam a escolha entre um futuro de mais segurança e uma possível continuidade das políticas de paz que, segundo alguns, não têm funcionado como esperado.
Enquanto isso, Cepeda, que tem um passado familiar ligado ao comunismo e foi vítima da violência de Estado, tenta distanciar-se da imagem negativa que a esquerda carrega em relação ao conflito armado. Ele se comprometeu a revisar e aprimorar as políticas de paz, buscando um caminho que beneficie a população e traga novamente a estabilidade ao país.
“Sinto dor por essa polarização, a única coisa que nos leva é a matar uns aos outros”, lamentou Gabriela Zambrano, uma jovem química de 24 anos, refletindo a angústia presente na sociedade colombiana.
A decisão que os colombianos tomarão neste domingo poderá moldar o futuro da nação, que vive um momento crucial em sua história política.
