Guerra no Irã empurra mais de 30 milhões à pobreza, alerta ONU — A intensificação do conflito no Irã deve fazer com que mais de 30 milhões de pessoas regressem à pobreza, segundo o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Alexander De Croo.
Guerra no Irã empurra mais de 30 milhões à pobreza, alerta ONU
Em declaração divulgada na última quinta-feira (23 de abril de 2026), De Croo apontou que a escassez de fertilizantes, agravada pelo bloqueio de cargueiros no Estreito de Ormuz, já reduz a produtividade agrícola em diversos países. Um terço do fertilizante comercializado globalmente atravessa essa rota estratégica, onde Teerã e Washington disputam influência.
O representante da ONU advertiu que a insegurança alimentar “atingirá o auge em poucos meses”, pressionando sobretudo comunidades em situação vulnerável. Mesmo com um cessar-fogo imediato, os danos causados ao fornecimento de energia, às remessas financeiras e às cadeias de suprimentos agrícolas “já estão contratados” e deverão lançar 30 milhões de pessoas na pobreza, reiterou.
Entidades financeiras multilaterais reforçam o alerta. Em nota conjunta divulgada recentemente, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o Programa Mundial de Alimentos estimaram que a guerra elevará ainda mais o preço dos alimentos, ampliando o risco para famílias que gastam a maior parte da renda na alimentação.
De Croo calculou perdas de 0,5% a 0,8% do Produto Interno Bruto global devido aos reflexos indiretos do conflito. “Décadas de progresso podem ser desfeitas em oito semanas de guerra”, disse ele. A queda na atividade econômica soma-se à redução do financiamento humanitário, que já compromete operações em cenários críticos como Sudão, Gaza e Ucrânia.
Segundo o administrador do Pnud, a combinação de demanda crescente e recursos limitados obrigará agências a priorizar atendimentos. “Teremos de dizer a algumas pessoas: sinto muito, mas não podemos ajudá-los”, afirmou, salientando que beneficiários que já dependem completamente de assistência poderão ficar sem acesso a alimentos e cuidados básicos.
Especialistas ouvidos pela Reuters destacam que qualquer interrupção prolongada no Estreito de Ormuz tende a afetar também o mercado de combustíveis, pressionando custos de transporte e produção agrícola em escala mundial.
Enquanto diplomatas buscam uma saída negociada, agências humanitárias pedem aporte financeiro urgente para evitar que a crise se transforme em catástrofe alimentar de larga escala.
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Crédito da imagem: Fars News Agency
Fonte: Fars News Agency
