Israel no Líbano: 667 mil pessoas desalojadas em uma semana provocaram uma escalada na crise humanitária da região, de acordo com a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que registrou o volume recorde de deslocados em plataforma oficial do governo libanês.
Israel no Líbano: 667 mil pessoas desalojadas em uma semana
Segundo Karolina Lindholm, representante da Acnur no Líbano, o total de civis forçados a deixar suas casas saltou mais de 100 mil em apenas um dia, e a curva continua subindo. A organização destaca que 667 mil habitantes abandonaram vilarejos e cidades após ataques aéreos, bombardeios de artilharia e ordens de evacuação emitidas por Israel, em meio a confrontos com o grupo xiita Hezbollah.
Em nota divulgada anteriormente, a ONG Human Rights Watch acusou Israel de empregar fósforo branco na localidade de Yohmor, no sul libanês. A substância é usada militarmente para criar cortina de fumaça ou marcar alvos, mas seu uso em áreas civis é vetado pelo direito internacional por causar queimaduras graves e incêndios de difícil controle. Autoridades israelenses ouvidas pela Reuters afirmaram desconhecer a denúncia e não confirmaram a utilização do agente químico.
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos alertou que mais de 100 comunidades receberam ordens de retirada, levantando a possibilidade de “deslocamento forçado”, classificado como prática proibida pelas convenções humanitárias. O comunicado sublinha que a escala das instruções de evacuação torna quase impossível o cumprimento integral pela população, questionando sua eficácia e legalidade.
Os decretos israelenses também recomendaram a evacuação de grande parte dos arredores sul de Beirute e do Vale do Bekaa, região oriental do Líbano. Estima-se que 100 mil pessoas estejam distribuídas em 469 abrigos improvisados pelo país.
Serviços de saúde e retorno de sírios
A Organização Mundial da Saúde relatou o fechamento de 43 centros de atenção primária e de dois hospitais nas áreas afetadas, comprometendo o acesso a cuidados médicos essenciais. A Acnur acrescentou que 78 mil refugiados sírios, que viviam no Líbano, cruzaram de volta à Síria para escapar dos combates recentes.
Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmam que as evacuações são necessárias para reduzir riscos à população durante ataques a infraestruturas do Hezbollah: “Ao longo das operações, mantivemos o compromisso com precisão e mitigação de danos a civis.” O Hezbollah, por sua vez, classifica as ações como retaliação legítima aos bombardeios israelenses contínuos, inclusive após o cessar-fogo acordado em novembro de 2024.
Escalada e contexto regional
A atual escalada começou paralelamente à guerra na Faixa de Gaza. Solidário aos palestinos, o Hezbollah intensificou disparos contra o norte de Israel, que respondeu com ataques no território libanês. Em 10 de março, uma série de foguetes do Hezbollah teria atingido a cidade de Khian, em resposta a ofensivas israelenses que, segundo o grupo, alvejaram dezenas de localidades libanesas e subúrbios da capital.
Israel justifica as incursões alegando necessidade de impedir a recuperação militar do Hezbollah. Analistas temem que o aumento da violência desestabilize ainda mais o frágil equilíbrio político libanês e amplie a crise de refugiados no Oriente Médio.
Apesar dos apelos internacionais por contenção, não há sinais de recuo imediato. Organizações humanitárias pedem acesso seguro às áreas afetadas para fornecer abrigo, alimentos e assistência médica aos deslocados.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
