Morte de Khamenei mobilizou milhares de iranianos que voltaram às ruas para assinalar o 40º dia do falecimento do líder supremo Seyyed Ali Khamenei, vítima de um bombardeio atribuído a Israel e Estados Unidos no primeiro dia da atual guerra.
Morte de Khamenei: multidões no Irã lembram 40º dia de luto
Procissões foram registradas em centenas de cidades, com maior concentração em Teerã, onde a marcha partiu da Praça Jomhouri até o local do ataque que matou o aiatolá. Imagens transmitidas pela emissora estatal Press TV mostraram participantes carregando bandeiras nacionais, retratos de Khamenei e de outras lideranças, além de fotos das 168 meninas mortas no ataque à escola de Minab.
A cobertura extensiva dos veículos oficiais destacou o apoio popular à estrutura política da República Islâmica, contestada por potências ocidentais. A cerimônia se estendeu até a noite, reiterando homenagens também a altos dirigentes civis e militares mortos nos quase 40 dias de conflito.
Apoio e divisões internas
Para o antropólogo Paulo Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF), a sociedade iraniana apresenta “importante oposição”, mas também “uma base de sustentação ideológica, política ou por interesse pessoal” ao regime. Segundo ele, a ofensiva externa tem levado críticos a priorizar a defesa do país diante da ameaça de invasão.
Número de vítimas e sucessão
A Organização de Medicina Forense do Irã estimou em mais de 3 mil as mortes provocadas pelos ataques israelenses-estadunidenses, apontando que 40% dos corpos ainda não foram identificados. Depois do assassinato de Khamenei, o posto de Líder Supremo passou ao filho, aiatolá Mojtaba Khamenei, que, em pronunciamentos recentes, prometeu retaliar “pelo sangue dos mártires”.
Reportagens do serviço internacional da Reuters recordam que, na estrutura da República Islâmica, o Líder Supremo é escolhido pela Assembleia dos Especialistas, composta por 88 clérigos eleitos pela população. Embora o mandato seja vitalício, o órgão tem prerrogativa constitucional para destituir o ocupante do cargo.
Contexto histórico
No topo do poder durante 36 anos, Ali Khamenei comandava Forças Armadas, Conselho dos Guardiões, Executivo, Parlamento e Judiciário como instância moderadora. A República Islâmica foi instaurada em 1979, derrubando a dinastia Pahlavi e inaugurando um período de atritos constantes com os Estados Unidos. A morte do líder, que segundo autoridades “escolheu o caminho do martírio” ao recusar abrigos subterrâneos, ampliou tensões regionais e internas.
Com o luto nacional ainda em curso, manifestantes também lembraram protestos anteriores contra o bombardeio estrangeiro. Em meio às ameaças de Washington, grupos formaram barreiras humanas para proteger usinas elétricas e demais alvos anunciados pela Casa Branca.
O 40º dia de luto reforça a complexidade do atual cenário iraniano, marcado por divisões políticas, comoção popular e o desafio de identificar milhares de vítimas do conflito.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
