Uso excessivo de telas reduz criatividade infantil, aponta estudo
Uso excessivo de telas está associado à queda da criatividade nas brincadeiras de crianças, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) que avaliou 14 participantes e identificou dependência crescente de dispositivos eletrônicos para ocupar o tempo livre.
Transformação do ato de brincar
Recordações de brincadeiras como pique-esconde e queimada contrastam com a realidade atual descrita pela auxiliar de limpeza Hozana da Silva, que observa os filhos concentrados em celulares no lugar das ruas. A terapeuta ocupacional Amanda Sposito, orientadora do estudo “Tecnologias digitais moldam o novo brincar infantil”, explica que lares menores, jornadas de trabalho extensas e sensação de insegurança nas cidades limitaram o espaço para brincadeiras presenciais. “Quanto mais as crianças ficam imersas em tela, menos ideias têm para atividades fora do mundo digital”, afirma.
Ciclo de perda de criatividade
O levantamento da USP indica um círculo vicioso: telas ocupam o tédio, diminuem a imaginação e, como consequência, reforçam a busca por mais tempo online. As próprias crianças relatam precisar de um adulto para sugerir jogos físicos, evidenciando dependência de orientação externa.
Riscos à saúde física e mental
A Organização Mundial da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria estabelecem limites de exposição que variam por faixa etária exatamente para reduzir efeitos como problemas cognitivos, distúrbios do sono, doenças oculares e cyberbullying. As entidades recomendam ainda que refeições e horas de descanso não sejam acompanhadas de aparelhos, além de monitorar o conteúdo acessado.
Controle parental e consumo crítico
A lojista Edilaine Ferreira impõe entre 90 e 120 minutos de tela após a escola para a filha e utiliza aplicativos de bloqueio. “Já nos deparamos com cenas inadequadas, por isso acompanho de perto”, relata. Para especialistas, a solução passa por educação midiática que ensine crianças a compreender algoritmos, compartilhar dados conscientemente e checar informações.
Tecnologia também pode educar
Criado em 2022, o projeto social Gaming Park atende jovens de oito a 17 anos na Rocinha (Rio de Janeiro) e em Vitória (Espírito Santo), combinando disciplinas escolares a narrativas de videogames. Para a coordenadora técnica Dara Coema, jogos digitais podem estimular sociabilidade, trabalho em equipe e planejamento de carreira em e-sports, desde que haja acompanhamento adulto.
Equilíbrio entre mundo digital e real
Especialistas defendem que empresas responsáveis por plataformas digitais também sejam fiscalizadas para não incentivar o uso excessivo. Já as famílias são orientadas a diversificar atividades: brincadeiras tradicionais, leitura e esportes devem coexistir com recursos eletrônicos.
Em síntese, o estudo reforça que limitar o uso excessivo de telas e incentivar experiências fora delas são medidas essenciais para preservar criatividade, saúde e socialização infantil.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
