Turistas brasileiros deixam Venezuela após ataque dos EUA Cem viajantes cruzaram a fronteira de Roraima depois da ofensiva norte-americana, enquanto o Itamaraty monitora a segurança da comunidade brasileira no país vizinho.
Turistas brasileiros deixam Venezuela após ataque dos EUA
Na noite de sábado (3 de janeiro), o Ministério das Relações Exteriores confirmou que 100 turistas brasileiros deixaram a Venezuela e entraram no Brasil por Pacaraima, em Roraima, após os ataques dos Estados Unidos contra o território venezuelano. De acordo com a ministra interina Maria Laura da Rocha, não há relatos de brasileiros feridos ou desaparecidos.
A embaixada em Caracas e os consulados brasileiros seguem de plantão. “Estamos atentos ao desdobramento dos acontecimentos e à situação da comunidade brasileira”, afirmou Maria Laura, que substitui o chanceler Mauro Vieira. O ministro interrompeu as férias e regressou a Brasília para participar de sucessivas reuniões de avaliação da crise.
As discussões emergenciais, coordenadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reuniram ainda os ministros da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, da Defesa, José Múcio, e da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira. Também estiveram presentes a ministra interina da Casa Civil, Miriam Belchior, e a embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira.
Segundo José Múcio, a fronteira permanece aberta e em relativa calma. O ministro orientou que brasileiros interessados em sair da Venezuela procurem as representações diplomáticas para receber apoio logístico. “Não há restrições à passagem; nossa equipe consular está preparada para auxiliar”, declarou.
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Questionada sobre quem o governo brasileiro reconhece como autoridade legítima em Caracas, Maria Laura confirmou que, na ausência do presidente Nicolás Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez exerce interinamente o comando do Executivo.
O Brasil participará, nos próximos dias, de reuniões convocadas pela Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Ambas as agendas analisarão a ofensiva norte-americana, condenada pelo presidente Lula como violação do direito internacional.
Especialistas lembram que a intervenção retoma a política de ações diretas de Washington na América Latina, a exemplo da invasão do Panamá em 1989. Analistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam interesses geopolíticos e o controle das maiores reservas de petróleo do planeta entre os principais motivadores da operação.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
