Cessar-fogo com Irã congela prazo de 60 dias, diz Trump – O governo norte-americano sustenta que a trégua firmada em 7 de abril com Teerã interrompe a contagem estabelecida pela Lei de Poderes de Guerra, afastando, por ora, a necessidade de uma autorização formal do Congresso para continuidade do conflito.
Cessar-fogo com Irã congela prazo de 60 dias, diz Trump
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou em audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado, realizada em 30 de abril, que o cessar-fogo negociado entre Washington e Teerã suspende “ou interrompe” o prazo de 60 dias previsto na legislação de 1973. O dispositivo determina que operações militares sem aval do Legislativo devem ser encerradas após dois meses, salvo prorrogação por mais 30 dias mediante justificativa de “necessidade militar inevitável”.
Segundo Hegseth, enquanto a trégua permanecer, “o relógio não corre”. O argumento, porém, foi contestado pelo senador democrata Tim Kaine, para quem o limite expiraria em 1º de maio, criando um impasse jurídico para a Casa Branca. Parlamentares democratas e parte dos republicanos pressionam o presidente Donald Trump a solicitar extensão formal ou encerrar o envolvimento no Oriente Médio.
Resistência bipartidária e derrotas no Congresso
Pelo menos seis tentativas de restringir as ações militares foram derrubadas pela maioria republicana. Na votação mais recente, o Senado rejeitou resolução que limitava os poderes presidenciais por 50 votos a 47. Ainda assim, nomes do partido de Trump, como os senadores Susan Collins (Maine) e Rand Paul (Kentucky), alinharam-se à oposição, sinalizando desconforto interno diante da guerra e do impacto econômico dos confrontos.
Collins argumentou não haver provas de ameaça iminente do Irã aos EUA, divergindo da liderança republicana. Analistas, como o historiador James N. Green, da Universidade Brown, avaliam que o tema deve parar na Suprema Corte, hoje com maioria conservadora. “Caso a Corte referende o Executivo, o sentimento antiguerra pode crescer e influenciar as eleições legislativas de novembro”, ponderou Green.
Opinião pública e custo da gasolina
Pesquisas apontam que mais de 60% dos norte-americanos reprovam o conflito. O descontentamento é amplificado pela alta no preço dos combustíveis, agravada pelo fechamento temporário do Estreito de Ormuz. De acordo com a associação AAA Fuel Prices, o galão custava US$ 4,39 em 1º de maio, 34% acima do valor registrado um ano antes. O tema domina o debate eleitoral, reforçando a pressão sobre o Capitólio para encerrar ou limitar as operações militares, conforme destacou reportagem do The New York Times.
Enquanto a Câmara dos Representantes, presidida pelo republicano Mike Johnson, sustenta que “os EUA não estão em guerra” — citando ausência de bombardeios ativos —, a oposição argumenta que a mera presença de tropas no teatro de operações configura envolvimento hostil e exige aval parlamentar.
No momento, a contagem jurídica dos 60 dias permanece em disputa, e qualquer decisão sobre prorrogação, retirada ou escalada dependerá de entendimentos políticos, judiciais e, sobretudo, da manutenção ou quebra do cessar-fogo com o Irã.
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Crédito da imagem: Reuters/Amanda Andrade-Rhoades
Fonte: Reuters/Amanda Andrade-Rhoades
