Macron rejeita acordo UE-Mercosul e promete voto contrário
Macron rejeita acordo UE-Mercosul ao afirmar, em comunicado publicado nas redes sociais na última quinta-feira (8 de janeiro), que a França votará contra a assinatura do tratado de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
Macron rejeita acordo UE-Mercosul e promete voto contrário
Argumentos do Palácio do Eliseu
Segundo o presidente, o texto negociado desde 1999 “está desatualizado” e não garante vantagens claras para o crescimento francês e europeu. Macron reconheceu a necessidade de diversificação comercial, mas avaliou que os ganhos econômicos seriam “limitados” para a França.
A posição francesa reflete, sobretudo, a pressão de agricultores locais, que temem perder competitividade diante de produtos agropecuários sul-americanos. O setor rural francês é historicamente influente no debate sobre políticas comerciais e ambientais.
Divisão entre países membros da UE
A decisão será levada por Macron à reunião do Conselho Europeu marcada para esta sexta-feira (9), em Bruxelas. Além da França, Irlanda, Polônia e Hungria já sinalizaram oposição ao acordo. Alemanha e Espanha defendem a ratificação, enquanto a Itália ainda não se posicionou de forma definitiva, mas indicou inclinação ao apoio.
Apesar da resistência de parte do bloco, os negociadores mantêm a previsão de que a assinatura do documento possa ocorrer “nas próximas semanas”, desde que haja consenso entre os 27 Estados-membros.
Contexto internacional
O tratado UE-Mercosul abrange 756 milhões de consumidores e prevê a eliminação de tarifas sobre 91% dos produtos comercializados entre os dois blocos. De acordo com a agência Reuters, a disputa também envolve padrões ambientais, pois países europeus cobram salvaguardas contra o desmatamento na América do Sul.
A posição francesa adiciona um obstáculo extra às negociações, que se arrastam há mais de duas décadas. Negociadores europeus e sul-americanos tentam adaptar o texto às exigências ambientais, enquanto buscam blindar setores sensíveis — entre eles, agricultura na Europa e indústria automobilística no Mercosul.
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Crédito da imagem: Reuters/Michel Euler
Fonte: Reuters
