Tenente-coronel acusado de feminicídio é posto na reserva pela PM O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, detido preventivamente pela morte da soldado Gisele Alves Santana, teve sua transferência para a reserva publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 9 de junho de 2026, ato que equivale à aposentadoria na Polícia Militar.
Tenente-coronel acusado de feminicídio é posto na reserva pela PM
O despacho, assinado pelo diretor de Inatividade e Pensão Militar, coronel Antonio Thomazelli Júnior, oficializa a passagem do oficial para a inatividade pouco menos de quatro meses após sua prisão em 18 de março. Segundo a corporação, a medida segue a legislação vigente e não interfere em eventuais responsabilidades penais ou disciplinares.
Nas redes sociais, o advogado Miguel José da Silva Junior, representante da família de Gisele, criticou a “celeridade” da PM paulista em concluir a aposentadoria. Para ele, o ato confere privilégio ao acusado. “Não é justo que quem responde por um crime tão bárbaro continue recebendo proventos pagos pelo contribuinte, inclusive pelos pais da vítima”, declarou em vídeo.
Gisele Alves Santana, então soldado da PM, foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde vivia com o marido, na capital paulista. O oficial informou às autoridades tratar-se de suicídio, mas laudos do Instituto Médico Legal apontaram lesões incompatíveis com essa versão, reforçando a tese de feminicídio.
De acordo com nota da corporação, o vínculo financeiro do tenente-coronel passa a ser administrado pela São Paulo Previdência (SPPrev). A perda de posto, patente ou remuneração só poderá ser determinada após decisão definitiva do Tribunal de Justiça Militar do Estado.
Paralelamente, a Corregedoria concluiu o Inquérito Policial Militar e encaminhou o processo ao Judiciário. Um Conselho de Justificação, instaurado em 31 de março de 2026, também tramita de forma autônoma para avaliar a conduta do oficial. O advogado da família diz ter “convicção” de que o colegiado recomendará a demissão do militar.
Especialistas lembram que a transferência para a reserva não encerra a possibilidade de condenação penal. Conforme o Código Penal Militar, a comprovação de crime doloso contra a vida pode acarretar perda do posto e da patente, além da cassação dos proventos.
Recentemente, dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam alta de casos de feminicídio no país, tema que tem impulsionado mudanças internas nas corporações. Para a professora de direito penal Carolina Melo, “é fundamental que a instituição demonstre transparência e garanta que a punição, se confirmada a culpa, seja exemplar”.
Em posicionamento público, a Polícia Militar de São Paulo reiterou que “nenhuma decisão administrativa impede a responsabilização criminal” e que respeitará o devido processo legal nas esferas cível, penal e disciplinar.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
