Kassio Nunes Marques assumiu a relatoria da notícia-crime que acusa Lula de ameaças em discurso em Goiás. Frase sobre enforcamento de 'traidores' está no centro da disputa judicial.
O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), assumiu nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, a relatoria da notícia-crime protocolada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ação, registrada em 4 de junho, alega que o presidente teria feito ameaças e incitado o crime durante um discurso em Catalão, Goiás.
No discurso, Lula mencionou o enforcamento de ‘traidores da pátria’, o que, segundo a defesa de Flávio, configura uma ameaça direta. O senador destacou a frase de Lula:
‘Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso?’
A defesa argumenta que, ao citar Joaquim Silvério dos Reis, Lula cometeu um erro histórico, pois foi Tiradentes quem realmente sofreu a pena de enforcamento por suas ações. O documento da defesa, assinado pela equipe do escritório Tracy Reinaldet Advogados Associados, critica a confusão feita pelo presidente ao inverter os papéis na narrativa histórica.
‘Inverteu os papéis de sua própria parábola, atribuindo a quem ‘traiu’ o destino que, na realidade, coube a justamente a quem foi traído, confundindo o herói com o vilão da história’, diz o texto.
Além disso, a defesa apresentou dados alarmantes sobre ameaças direcionadas a Flávio e sua família nas 24 horas seguintes ao discurso de Lula. Foram identificadas mais de 1,6 mil postagens na plataforma X que continham termos violentos como ‘matar’, ‘fuzilar’ e ‘esfaquear’. Outras 500 postagens continham ameaças veladas, totalizando mais de 14 milhões de visualizações, 900 mil curtidas e quase 200 mil compartilhamentos.
Recentemente, Kassio Nunes Marques também tomou decisões que beneficiaram Flávio Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde preside desde o final de maio. O ministro suspendeu uma pesquisa da AtlasIntel que mostrava uma queda de seis pontos percentuais do senador em um eventual segundo turno contra Lula, mencionando ‘suspeitas de indução ao eleitor’ nas perguntas relacionadas ao caso Master.
