Washington reagiu à condenação de Eduardo Bolsonaro e chamou a decisão de lawfare. Para o Departamento de Estado, tribunais brasileiros perseguem opositores políticos.
O governo dos Estados Unidos expressou críticas à condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), classificando a decisão como um exemplo de “perseguição e manipulação jurídica” contra adversários políticos.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA declarou à Reuters que o caso de Eduardo representa um “padrão de perseguição e guerra jurídica (lawfare) dos tribunais brasileiros contra seus opositores políticos”.
O representante do governo de Donald Trump pontuou que “debates políticos devem ser resolvidos por eleições democráticas, não por condenações judiciais”.
A Primeira Turma do STF condenou Eduardo por coação no curso do processo na última terça-feira (16), por unanimidade. Ele foi sentenciado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto. A Defensoria Pública da União, que está cuidando da sua defesa após a ausência de um advogado indicado, ainda pode recorrer da decisão.
Os ministros do STF avaliaram que o ex-deputado agiu para incentivar sanções dos EUA contra autoridades brasileiras e criar um ambiente de pressão e intimidação sobre os integrantes da Corte. A acusação apontou que o objetivo de Eduardo era interferir no julgamento da trama golpista, que resultou na condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e dificultar o processo de responsabilização.
Um dia após a condenação, o presidente Donald Trump comentou o caso durante a cúpula do G7, na França. Ao se pronunciar sobre o assunto, ele pareceu confundir Eduardo com seu irmão, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Descobri isso depois que fomos embora. Acabei de me despedir dele e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Eles o prenderam, ou querem prendê-lo”, disse Trump.
Em resposta, Lula comentou durante uma coletiva de imprensa que Trump “conhece pouco o Brasil” e pediu que ele não interfira nas eleições brasileiras. “Pra mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, afinal, gosto não se discute. Só não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são problema do Brasil, assim como as eleições dos Estados Unidos são problema dos Estados Unidos”, afirmou o presidente brasileiro.
