Sequestro de Nicolás Maduro gera protesto na Cinelândia mobilizou centenas de manifestantes na região central do Rio de Janeiro na segunda-feira (5 de janeiro de 2026). Reunidos na praça conhecida por abrigar atos históricos, participantes repudiaram a operação militar norte-americana que, dois dias antes, capturou o presidente da Venezuela e a primeira-dama Cilia Flores, transferindo o casal para um presídio em Nova York.
Sequestro de Nicolás Maduro gera protesto na Cinelândia
Manifestação reúne frente de 50 entidades
O ato foi convocado pela Frente de Esquerda Anti-imperialista em Solidariedade à Venezuela, coalizão composta por cerca de 50 organizações. Cartazes, bandeiras e palavras de ordem denunciavam o “narcoterrorismo de Estado” atribuído aos Estados Unidos e exigiam a libertação imediata de Maduro.
Venezuelanos relatam indignação e medo
Entre os presentes, o estudante de mestrado Ali Alvarez, de 31 anos, exibiu exemplares da Constituição Bolivariana. No Brasil desde 2018, ele afirmou que o sequestro viola “a soberania do povo venezuelano”. Já o músico Alexis Graterol, radicado no país há duas décadas, classificou as acusações contra Maduro como “falsas” e acusou Washington de cobiçar o petróleo venezuelano.
Nem todos, porém, condenaram a intervenção. O psicólogo Marco Mendoza, que vive no Chile, disse preferir “pagar 25 anos de dívida externa aos EUA” a manter o atual governo em Caracas, alegando que a nação já sofre influência de China, Rússia e Cuba.
Repercussão regional
Preocupado com o avanço militar norte-americano, o cineasta colombiano Raúl Vidales alertou que seu país abriga ao menos sete bases dos EUA. Segundo ele, é necessária “uma ação coletiva interamericana” para conter “a colonização feroz”. Para o presidente estadual do PCdoB, Daniel Iliescu, o episódio marca “uma nova etapa de instabilidade” e enfraquece o multilateralismo.
Acusações e defesa nos EUA
Detido sob suspeita de narcoterrorismo, tráfico de drogas e conspiração para obter armas automáticas, Maduro se declarou inocente durante audiência em tribunal nova-iorquino na segunda-feira (5). Ele se definiu como “prisioneiro de guerra”, status rejeitado pelo Departamento de Estado norte-americano.
Em pronunciamento no sábado (3), o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a operação militar e disse que pretende autorizar “grandes empresas petrolíferas” a operar em território venezuelano. A repercussão internacional ainda inclui críticas da Organização das Nações Unidas, que classificou a ação como fator de insegurança global, conforme noticiado pela BBC.
Imigração venezuelana no Brasil
Dados do IBGE indicam que os venezuelanos formam o maior contingente estrangeiro residente no Brasil, somando 200 mil pessoas. Entre abril de 2018 e novembro de 2025, o governo federal auxiliou mais de 115 mil cidadãos a regularizar a situação migratória, dos quais 3.290 se fixaram no Rio.
O protesto na Cinelândia reforça o debate sobre soberania e intervenção externa na América Latina. Para acompanhar outras atualizações da editoria internacional, visite a seção Internacional do nosso site e permaneça informado.
Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
