Sanções dos EUA agravaram colapso econômico da Venezuela – As restrições impostas por Washington aos setores financeiro e petrolífero venezuelanos aprofundaram a recessão, derrubaram o PIB e impulsionaram o êxodo de milhões de pessoas, apontam economistas e estudos internacionais.
Sanções dos EUA agravaram colapso econômico da Venezuela
Bloqueio financeiro asfixiou a principal fonte de receita do país
A palavra-chave “sanções dos EUA” aparece com força nas análises que relacionam a crise venezuelana ao embargo ampliado a partir de agosto de 2017. O pacote proibiu o governo de Nicolás Maduro de captar recursos no mercado norte-americano, dificultou transações bancárias globais e congelou ativos no exterior, como 31 toneladas de ouro retidas no Banco da Inglaterra, avaliadas em US$ 1,2 bilhão.
Além de bloquear dividendos da refinaria Citgo, filial da PdVSA, a Casa Branca estendeu punições a empresas de outros países – as chamadas sanções secundárias –, reduzindo drasticamente a capacidade de Caracas de comercializar petróleo, responsável por mais de 95% das exportações nacionais.
PIB encolhe 75% e 7,5 milhões deixam o país
Entre 2013 e 2022, a economia venezuelana perdeu cerca de três quartos do Produto Interno Bruto. Estudos do economista venezuelano Francisco Rodríguez, da Universidade de Denver, mostram que a queda no preço do barril em 2014 iniciou a recessão, mas o embargo norte-americano “teve papel decisivo” no aprofundamento do colapso. O pesquisador calcula que novas medidas de “pressão máxima” poderiam forçar a migração de mais 1 milhão de venezuelanos em cinco anos.
Relatório publicado em 2025 pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) detalha que o setor petrolífero recuou 30,1% em 2018, primeiro ano completo após o bloqueio financeiro, provocando perda de US$ 8,4 bilhões em divisas usadas para importar alimentos e medicamentos.
Hiperinflação e desabastecimento acompanham o embargo
Estudo do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (CEPR) atribuiu a transição de inflação alta para hiperinflação, oficializada em dezembro de 2017, à brusca redução de receitas externas provocada pelas sanções. Na avaliação da economista Juliane Furno, da Uerj, “a Venezuela é um país rentista; quando o petróleo despenca e o acesso a mercados é cortado, o impacto social se intensifica”, afirmou em entrevista anterior.
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Furno destaca ainda que o bloqueio de reservas em ouro, somado à proibição de vender petróleo ao principal mercado consumidor — os Estados Unidos —, eliminou mais de US$ 11 bilhões em receitas somente em 2020, conforme cálculo do então assessor de Segurança Nacional John Bolton.
Sinais de alívio surgem após relaxamento parcial das sanções
A flexibilização de algumas restrições durante o governo Joe Biden coincidiu com crescimento de 8,5% do PIB em 2024 e 6,5% em 2025, de acordo com a Cepal. Para especialistas, os números indicam que “o peso das sanções ficou evidente: quando elas afrouxam, a economia reage”, resume Furno.
Apesar disso, Washington mantém a maior parte do arsenal de medidas, justificando-as como ferramenta para pressionar Caracas a restaurar a democracia e combater o narcotráfico. A base jurídica do bloqueio remonta à Lei de Defesa dos Direitos Humanos e da Sociedade Civil Venezuelana, aprovada em dezembro de 2014, e à Ordem Executiva 1.692, assinada por Barack Obama em março de 2015.
Relatórios da Organização das Nações Unidas alertam que sanções de amplo alcance têm efeitos humanitários severos, ampliando pobreza, insegurança alimentar e falta de medicamentos.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
