China exige libertação de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, conclamando os Estados Unidos a pôr fim à detenção do casal venezuelano realizada no último dia 3 de janeiro, em Caracas, e transferida para uma penitenciária federal no Brooklyn, em Nova York.
Condenação a violação do direito internacional
Em comunicado divulgado em 4 de janeiro, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que a operação norte-americana “viola claramente o direito internacional, as normas básicas das relações entre Estados e os princípios da Carta das Nações Unidas”. O governo chinês, um dos principais parceiros políticos e econômicos da Venezuela, solicitou que Washington garanta a segurança pessoal de Nicolás Maduro e de Cilia Flores e abandone qualquer tentativa de derrubar o governo venezuelano.
A chancelaria chinesa destacou ainda que o episódio afronta acordos multilaterais reconhecidos pelas Nações Unidas, reforçando a necessidade de soluções negociadas. “É imprescindível resolver o problema por meio do diálogo e da negociação”, declarou o porta-voz do ministério.
Segunda nota oficial em dois dias
O posicionamento de 4 de janeiro foi o segundo emitido por Pequim sobre o tema. Na véspera, a China já havia condenado o “uso flagrante da força” pelos EUA contra “um país soberano e seu chefe de Estado”. A repetição do protesto evidencia a preocupação de Pequim com a estabilidade política da Venezuela, país que participa da Iniciativa Cinturão e Rota e mantém acordos bilionários de cooperação energética e tecnológica com os chineses.
Reação internacional e agenda no Conselho de Segurança
A repercussão da prisão de Maduro também provocou movimentação na Organização das Nações Unidas. Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança está agendada para 5 de janeiro, com o objetivo de discutir a crise venezuelana e avaliar possíveis resoluções. Diplomatas consultados indicam que China e Rússia devem apresentar projetos de condenação à operação norte-americana, enquanto os Estados Unidos insistem que a detenção atende a “interesses de segurança hemisférica”.
Especialistas em direito internacional apontam que a captura de um chefe de Estado em território estrangeiro, sem autorização do governo local, pode configurar violação de soberania e abrir precedente perigoso para futuras intervenções. Representantes de organizações de direitos humanos também pediram livre acesso à prisão no Brooklyn para verificar as condições de Maduro e de sua esposa.
Próximos passos e possível escalada diplomática
Analistas observam que o pedido de libertação imediata feito pela China aumenta a pressão sobre a Casa Branca. Caso o governo norte-americano mantenha a custódia do casal, Pequim poderá recorrer a sanções ou vetos no Conselho de Segurança. Por outro lado, autoridades em Washington afirmam que “qualquer decisão será tomada à luz dos compromissos internacionais dos EUA”.
Enquanto isso, na Venezuela, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente o Palácio de Miraflores, prometendo “lutar pela libertação do presidente” e preservar a ordem constitucional. Manifestações de apoio a Maduro foram registradas em várias cidades, com protestos diante da embaixada dos Estados Unidos em Caracas.
As próximas horas serão decisivas para definir o rumo da crise. A comunidade internacional acompanha atentamente a sessão do Conselho de Segurança e a resposta de Washington ao contundente pedido chinês por libertação e respeito à soberania venezuelana.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
