O mercado ilegal de insumos agrícolas sangra o agronegócio brasileiro em R$ 10 bilhões por ano. Especialistas alertam que sementes não certificadas derrubam a produtividade e afastam investimentos no campo.
O mercado ilegal de insumos agrícolas tem gerado grande preocupação no setor produtivo do Brasil. A pirataria de sementes e a comercialização de produtos sem registro geram um rombo estimado em R$ 10 bilhões anuais no agronegócio nacional. A gravidade desse problema foi discutida em um workshop realizado na cidade de São Paulo.
Durante o evento, especialistas destacaram que o uso de sementes não certificadas compromete diretamente a produtividade das safras. Além disso, essa prática criminosa interfere nos investimentos que são fundamentais para o desenvolvimento de novas tecnologias agrícolas.
Os dados apresentados durante o encontro evidenciam a extensão do problema em todo o país. A cultura da soja, por exemplo, é uma das mais atingidas pela informalidade no mercado. Estatísticas revelam que o mercado ilegal representa 11% de toda a semente de soja plantada no Brasil. O Estado do Rio Grande do Sul se destaca negativamente, com índices de pirataria que chegam a quase 30%.
Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
O impacto financeiro decorrente dessa atividade ilegal é alarmante, alcançando a cifra de R$ 10 bilhões por ano. Em resposta a essa situação, o setor tem intensificado os esforços de fiscalização. No último ano, laboratórios conduziram mais de 92 mil análises laboratoriais para garantir a procedência e a qualidade das sementes disponibilizadas aos produtores.
Para enfrentar esse cenário desafiador, a inovação e a segurança jurídica são vistas como essenciais. Nos últimos 20 anos, a produção de grãos no Brasil cresceu de forma significativa, em parte devido aos avanços na ciência, que permitiram a combinação do melhoramento genético com a biotecnologia. O uso de variedades com patentes válidas pode aumentar a produtividade das lavouras em níveis semelhantes.
“A manutenção de leis robustas de propriedade intelectual e de proteção de cultivares é indispensável”, afirmaram os palestrantes do workshop, ressaltando que essa segurança jurídica atrai novos investimentos privados globais.
Além disso, o debate também focou no futuro das culturas de milho e soja, com analistas apontando que o desenvolvimento do ecossistema do agronegócio depende da adoção de ferramentas sustentáveis, inovação e expansão do mercado de biocombustíveis.
