Retirada da imprensa na Câmara gera repúdio de entidades abriu uma onda de críticas de organizações de defesa do jornalismo após profissionais terem sido afastados do plenário e agredidos por policiais legislativos em 9 de dezembro.
Retirada da imprensa na Câmara gera repúdio de entidades
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal classificaram o episódio como “extremamente grave”, argumentando que o bloqueio ao trabalho da imprensa fere o direito constitucional à informação. As entidades mencionaram relatos de empurrões, puxões e cotoveladas que resultaram em atendimento médico a repórteres, cinegrafistas e fotógrafos.
O incidente ocorreu logo após o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupar, em protesto, a cadeira da presidência da Câmara. Ele foi retirado à força por agentes da Polícia Legislativa Federal depois que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que levaria ao plenário o pedido de cassação do parlamentar. No mesmo instante, o sinal da TV Câmara foi interrompido às 17h34, e jornalistas foram obrigados a sair do plenário.
Em nota nas redes sociais, Hugo Motta disse ter determinado “a apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa”, acrescentando que “a democracia precisa ser defendida todos os dias”.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) divulgaram manifestação conjunta na qual afirmam que “o impedimento do trabalho de jornalistas e o corte do sinal da TV Câmara são incompatíveis com a liberdade de imprensa”. As organizações cobram responsabilização para evitar novas tentativas de censura.
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O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) também destacou a gravidade do ocorrido e lembrou que imagens gravadas por parlamentares vazaram rapidamente e exibiram a ação truculenta da segurança legislativa.
Casos semelhantes vêm sendo monitorados por entidades internacionais de defesa da liberdade de expressão, como Repórteres sem Fronteiras, que apontam risco crescente de restrições ao trabalho jornalístico em ambientes políticos.
Já o deputado Glauber Braga, alvo do processo que motivou o protesto, pode perder o mandato por ter agredido um militante do Movimento Brasil Livre no ano anterior. O presidente da Câmara pautou ainda a votação de projeto que diminui penas de envolvidos em trama golpista, tema que inflamou o debate no plenário.
Para a Fenaj, “não se pode naturalizar medidas autoritárias que remetam aos tempos da ditadura militar”. A entidade afirmou que continuará acompanhando os desdobramentos e prestando assistência aos profissionais afetados.
Os desdobramentos da editoria de Política do Giro pela Bahia seguem em atualização. Acompanhe nossa cobertura completa e fique informado sobre os próximos passos dessa investigação.
Crédito da imagem: Deputado Glauber Braga/Facebook
Fonte: Agência Brasil
