Quebra de sigilo de Lulinha é aprovada na CPMI do INSS A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes contra aposentados decidiu, na última quinta-feira (26 de fevereiro), quebrar os sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Decisão mira movimentações financeiras
O pedido partiu do deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que também requereu a elaboração de relatórios de inteligência financeira. Segundo ele, a Suprema Corte já citara Lulinha em despacho de 18 de dezembro de 2025 que autorizou a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) a realizar nova etapa da Operação Sem Desconto. A investigação apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados que teria lesado milhões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Mensagens extraídas do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, sugerem repasse de pelo menos R$ 300 mil “para o filho do rapaz”, expressão que, de acordo com a PF, faria alusão a Lulinha. Para Gaspar, a quebra dos sigilos é “imperativa para elucidar a eventual participação do investigado”.
Defesa nega envolvimento
Em nota divulgada um dia antes da votação, a defesa de Lulinha afirmou que ele “não possui qualquer relação com desvios no INSS” e que “jamais recebeu valores de fontes ilícitas”. O advogado Guilherme Suguimori Santos disse ter solicitado acesso aos autos junto ao STF para apresentar esclarecimentos, ressaltando que, sem o conteúdo integral do processo, “toda acusação permanece no campo das conjecturas”.
Pacote de 87 requerimentos
Na mesma sessão — a 32ª da CPMI — deputados e senadores aprovaram outros 86 requerimentos em bloco. Entre eles, estão:
- quebra de sigilo bancário e fiscal do Banco Master;
- convocação do ex-executivo Augusto Ferreira Lima, que deixou a sociedade no banco em 2024 e, segundo a PF, teria ajudado a ocultar irregularidades;
- convocação do ex-deputado federal André Luis Dantas Ferreira, o André Moura, apontado como articulador de fraudes no estado de Sergipe;
- convocação da empresária Danielle Miranda Fontelles, suspeita de operar estruturas de lavagem de dinheiro no exterior;
- convocação de Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e alvo da etapa de dezembro da Operação Sem Desconto.
Logo após a aprovação em bloco, iniciou-se um tumulto com empurra-empurra e troca de socos que interrompeu temporariamente a reunião.
Depoimentos já agendados
Para as próximas audiências, a CPMI pretende ouvir o empresário Paulo Camisotti, filho e sócio de Maurício Camisotti — preso por suspeita de envolvimento no esquema bilionário. Também estavam previstos os depoimentos do deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA) e do advogado Cecílio Galvão. Araújo apresentou laudo médico que o impede de deixar São Luís e de se aproximar do deputado federal Duarte Junior (PSB-MA), conforme determinação do ministro André Mendonça, do STF. Já Galvão alegou compromissos profissionais; a comissão determinou que o Senado adote medidas para condução coercitiva em data futura.
Com a aprovação das quebras de sigilo e novas convocações, parlamentares esperam avançar na identificação de eventuais beneficiários dos recursos desviados do INSS e mapear a circulação de valores dentro e fora do país.
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Crédito da imagem: Agência Senado
Fonte: Agência Senado
