A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou na última sexta-feira, 29 de maio, a primeira recuperação de um paciente infectado pelo Ebola no atual surto da doença na República Democrática do Congo. O anúncio representa um avanço significativo no enfrentamento desse surto, que é causado por uma variante rara do vírus.
De acordo com informações do governo congolês, o paciente recebeu alta hospitalar no dia 27 de maio e já retornou à sua comunidade. Essa recuperação traz esperança em meio a um cenário desafiador, marcado por mais de mil casos suspeitos e 238 mortes relacionadas à doença, até a última terça-feira, 2 de junho.
Na noite de quinta-feira, 28 de maio, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou à capital Kinshasa para acompanhar de perto as ações de combate ao Ebola. Durante sua visita, ele ressaltou a importância de mostrar à comunidade local que não está sozinha nessa luta. “Vir aqui é realmente mostrar à comunidade que ela não está sozinha”, afirmou Tedros em entrevista a jornalistas no aeroporto.
Entretanto, as equipes médicas enfrentam diversos obstáculos para conter o avanço do vírus. A região abrange áreas afetadas por conflitos armados, o que dificulta o acesso a recursos essenciais, como equipamentos de proteção e suprimentos médicos. Profissionais de saúde relataram a utilização de máscaras vencidas durante os atendimentos a pacientes, evidenciando a escassez de materiais.
Na mesma data, uma carga de ajuda médica enviada pela União Europeia chegou à província de Ituri, considerada o epicentro do surto. Além disso, os Estados Unidos anunciaram um aporte adicional de US$ 80 milhões, elevando o total de ajuda prometida para mais de US$ 112 milhões.
Entretanto, a resistência de alguns moradores aos protocolos sanitários tem gerado conflitos. As regras para o tratamento dos corpos colidem com tradições funerárias locais, resultando em pelo menos três ataques a centros de saúde. Tedros também destacou que o deslocamento forçado de pessoas devido à violência armada e à insegurança alimentar agrava ainda mais a situação e os desafios para controlar a epidemia.
Na quarta-feira, 27 de maio, o diretor-geral da OMS solicitou um cessar-fogo na região, que é alvo de ataques violentos promovidos por grupos armados há várias décadas. A OMS continua a trabalhar em colaboração com as comunidades locais para enfrentar essa emergência de saúde pública.

