Protestos na Bolívia deixam 23 rodovias bloqueadas e marchas chegam a La Paz movimentam o país desde 18 de maio, aumentando a pressão pela renúncia do presidente Rodrigo Paz, no cargo há apenas seis meses.
Protestos na Bolívia deixam 23 rodovias bloqueadas e marchas chegam a La Paz
Levantamento da Administradora Boliviana de Estradas (ABC) contabilizou 23 pontos de bloqueio em vias principais. Treze deles concentram-se no entorno de La Paz, enquanto os demais afetam acessos a Oruro, Potosí, Santa Cruz e Cochabamba. A interrupção do tráfego já provoca falta de alimentos, combustíveis e outros insumos na capital.
Grupos de manifestantes, formados por camponeses, indígenas, mineiros, professores e outros setores sociais, cercam La Paz e preparam nova marcha rumo à praça Murillo, onde fica a sede do governo. A imprensa local relata que, mesmo após a revogação de uma polêmica lei de terras, o movimento mantém a exigência de que Paz abandone o poder.
Escalada de confrontos e denúncias de violência
No fim de semana anterior, confrontos em El Alto resultaram em 47 detenções e cinco feridos, informou a Defensoria Pública. Organizações campesinas citam ao menos dois mortos na região. O defensor público Pedro Callisaya relatou ataques contra jornalistas e conflitos entre manifestantes e moradores próximos aos bloqueios.
A Confederação Nacional de Mulheres Bartolina Sisa conclamou todas as bases a reforçar as manifestações, acusando o governo de reprimir “de forma violenta e criminosa”. Em nota publicada em 17 de maio, a entidade afirmou que o Executivo beneficia “um setor privilegiado” e tenta retirar terras de pequenos agricultores.
Posição do governo e acusações cruzadas
O porta-voz presidencial José Luis Gálvez responsabilizou grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales por incitar a violência e divulgou vídeo que mostraria integrantes dos “Ponchos Vermelhos” armados em uma rodovia. Segundo Gálvez, qualquer pessoa portando armas ou explosivos “será presa”.
Evo Morales rebateu em rede social, afirmando que os protestos são “do povo boliviano” e acusou o governo de criminalizar manifestações pacíficas. A Central Operária Boliviana (COB), principal sindicato nacional, também denunciou prisões de lideranças e convocou a população a permanecer nas ruas.
Crise política e econômica mantém tensão
As mobilizações começaram em dezembro de 2025, após decreto que eliminou subsídio à gasolina. A recente lei de terras, vista por camponeses como favorável a grandes produtores, intensificou o descontentamento. Embora o texto tenha sido revogado, setores sociais exigem mudanças na política econômica e maior participação popular nas decisões do governo.
Para especialistas consultados pela BBC News Brasil, a instabilidade reflete a fragilidade do novo governo em um país historicamente polarizado e enfrentando severa crise fiscal.
Com bloqueios persistentes, escassez nos mercados de La Paz e clima de confronto nas ruas, a Bolívia continua em alerta enquanto líderes sindicais e autoridades trocam acusações sobre quem é responsável pelo crescente cenário de violência.
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Crédito da imagem: Central Obrera Boliviana
Fonte: Central Obrera Boliviana
