Ação dos EUA na Venezuela é considerada uma grave ameaça à estabilidade da América do Sul pelo governo brasileiro, que voltou a criticar a operação militar norte-americana e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, ocorrido em 3 de janeiro.
Ação dos EUA na Venezuela ameaça paz sul-americana, alerta Brasil
Ação dos EUA na Venezuela ameaça paz sul-americana, alerta Brasil
Durante reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 5 de janeiro, o embaixador brasileiro Sérgio França Danese afirmou que o uso da força pelos Estados Unidos viola diretamente a Carta da ONU e ressuscita memórias de regimes autoritários instaurados por intervenções armadas anteriores na região.
Violação do direito internacional
Danese destacou que a Carta das Nações Unidas proíbe expressamente ataques à integridade territorial ou à independência política de qualquer Estado, salvo em exceções específicas que não se aplicariam ao caso venezuelano. Segundo o diplomata, o futuro do país deve ser decidido “exclusivamente pelo seu povo, dentro do marco do direito internacional, sem interferência externa”.
Reações de países vizinhos
Colômbia e Cuba adotaram tom semelhante. A embaixadora colombiana Leonor Zalabata Torres classificou a ofensiva dos EUA como “ato de agressão” que pode agravar a crise humanitária e aumentar o fluxo migratório na região. Já o representante cubano Ernesto Soberón Guzmán acusou Washington de buscar controle sobre o petróleo venezuelano, alegando que discursos sobre narcotráfico servem de pretexto para objetivos econômicos.
Posição argentina favorável à intervenção
Na contramão da maioria dos vizinhos, a Argentina apoiou a operação. O embaixador Francisco Fabián Tropepi disse confiar que a captura de Maduro represente “passo decisivo contra o narcoterrorismo” e abra caminho para a restauração da democracia venezuelana. Ele recordou ainda o asilo concedido a líderes oposicionistas em 2024 e reiterou o compromisso argentino de denunciar violações de direitos humanos no país.
Conclusão brasileira
Para Brasília, a ação norte-americana cruzou “linha inaceitável”. Danese reafirmou o compromisso regional com a paz, a não intervenção e a resolução pacífica de controvérsias, reafirmando que interesses econômicos não podem justificar mudança ilegal de governo.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Agência Brasil
