Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, levou a cartório em setembro um documento afirmando ter sido pressionada para fazer delação ligada ao filme sobre Jair Bolsonaro. O registro de sete páginas, assinado em 3/9, relata três episódios.
A empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, registrou em cartório um documento no início de setembro relatando que foi pressionada nos últimos meses para fazer uma delação premiada relacionada ao longa, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. O registro, assinado em 3 de setembro e levado ao cartório no dia seguinte, descreve três episódios distintos.
No documento de sete páginas, Karina relatou que o primeiro episódio ocorreu em maio, quando recebeu um contato de Fernando Sarney. Segundo o relato, Sarney ofereceu apoio jurídico, afirmou ter proximidade com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e disse que poderia ajudá-la caso ela quisesse formalizar uma delação premiada. A empresária afirmou que não demonstrou interesse na proposta e que não presenciou qualquer conversa entre Sarney e o ministro. Ela registrou que não possui elementos para afirmar que o ministro soubesse ou tivesse participado daquele contato.
O segundo episódio, de acordo com o documento, ocorreu em 27 de agosto. Karina contou que um pastor e amigo de longa data a procurou por telefone dizendo ter proximidade com pessoas ligadas ao governo federal e a ministros do STF. Ainda segundo o relato, o interlocutor teria dito que pessoas ligadas a essas autoridades pediram que ele a procurasse para tratar de uma delação premiada, com a justificativa de que isso serviria para evitar que ela se tornasse alvo de uma operação policial. A empresária afirmou que recusou a proposta, alegando que não havia motivo para colaborar, porque os projetos empresariais e a produção do filme ocorreram dentro da legalidade.
Em 3 de setembro, Karina registrou um terceiro contato telefônico, desta vez com o jornalista Breno Pires, identificado como da revista Piauí. No documento, ela relatou que o jornalista já havia feito questionamentos sobre a possibilidade de delação e, nesta conversa, afirmou que ela estaria:
“servindo de bucha de canhão para o candidato”
A produtora explicou no registro que decidiu levar os episódios a cartório porque o contato de 3 de setembro ganhou outro peso quando lembrado juntamente com a ligação de 27 de agosto. Segundo ela, isso a deixou preocupada com a possibilidade de sofrer pressão ou de haver interferência política em sua situação.
No documento, Karina também deixou registrada sua postura diante das investigações: afirmou que não pretende fugir, esconder documentos, destruir provas ou interferir no andamento do caso e que continuará apresentando documentos e prestando esclarecimentos às autoridades. A declaração termina com a ressalva de que ela não pretende acusar nenhuma autoridade ou pessoa de cometer ilícitos sem provas, e que o objetivo do registro foi documentar contatos, datas e o conteúdo das mensagens antes de qualquer eventual medida que possa afetar sua liberdade.
