Brent atingiu US$100,24 e o WTI era negociado a cerca de US$90,60 na manhã desta quarta-feira. Investidores reagiram à promessa de Trump de 'aniquilar' o Irã, elevando temores de escalada no Oriente Médio e pressão sobre os preços.
Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira, 23, revertendo a tendência dos últimos dias, um dia depois de novas ameaças do presidente dos Estados Unidos ao Irã, que geraram temores de escalada no conflito no Oriente Médio.
Por volta das 9h20 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para novembro do barril do tipo WTI, referência para o mercado norte-americano, era negociado a US$ 90,59, alta de 0,07%. No mesmo horário, o contrato futuro para novembro do tipo Brent, referência internacional, avançava 1%, para US$ 100,24.
A guerra no Oriente Médio já dura sete meses e levanta preocupação nos mercados sobre possíveis interrupções nos fluxos pelo Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos. O estreito concentra entre 20% e 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL), tornando-se um ponto-chave para a oferta global de energia.
As altas nas cotações ocorreram um dia depois do discurso do presidente dos Estados Unidos na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, realizado na terça-feira, 22. No pronunciamento, o presidente renovou acusações contra o governo iraniano, afirmando que o país tenta desenvolver uma arma nuclear e o acusando de patrocinar o terrorismo internacional.
Um acordo será feito com o Irã para que eles consigam reconstruir um grande país, como já foi antes, talvez um dos maiores países no Oriente Médio, ou será que eu terei de aniquilar a República Islâmica para o inferno e rapidamente?
O presidente também disse que vai tentar um acordo após as eleições legislativas nos Estados Unidos.
Vamos tentar fazer um acordo logo depois das eleições [legislativas nos EUA].
Em outro trecho do discurso, o presidente afirmou que, enquanto outros apenas falavam, ele agiu, e citou avanços na economia, na força militar e na tecnologia norte-americana.
Enquanto outros falavam de paz, eu fiz paz.
Nosso país está mais forte hoje do que jamais esteve. Estamos mais fortes do que nunca.
O presidente discursou logo depois do presidente do Brasil, que criticou tarifas comerciais e supostas interferências externas em assuntos internos; o presidente dos Estados Unidos ignorou explicitamente essas declarações durante seu pronunciamento.
Em meio ao contexto, pesquisas de opinião indicavam uma queda na avaliação do presidente nos Estados Unidos às vésperas do discurso: levantamento do Ipsos apontou índice de aprovação de 32% no mandato em curso.
Analistas de mercado seguem atentos aos desdobramentos diplomáticos e militares na região, já que qualquer aumento de tensão no Estreito de Ormuz tende a pressionar ainda mais os preços da energia no curto prazo.
