A distribuidora Banfruty surgiu de uma rescisão paga em bananas, relata o gerente Diego Oliveira. Fundada em 1996 em Caieiras, projeta faturar R$70 milhões em 2026.
A história da distribuidora Banfruty tem começo improvável: uma rescisão paga em bananas. A empresa, fundada em 1996 e sediada em Caieiras (Grande São Paulo), completa 30 anos em 2026 e projeta faturamento de R$70 milhões para o ano.
Em entrevista concedida em 21 de agosto, Diego Oliveira, gerente comercial da Banfruty, contou que os pais dele trabalhavam em uma distribuidora menor que enfrentava problemas financeiros e societários. Quando foram desligados, o antigo dono não tinha recursos para pagar a rescisão em dinheiro e propôs quitar o valor em mercadoria — bananas produzidas por ele. Foi esse pagamento em fruta, somado ao relacionamento com clientes, que deu início ao negócio.
Ao longo da trajetória, a empresa passou por cinco centros de distribuição. O atual centro, inaugurado há dois anos na divisa com a capital paulista, também marcou mudança na estratégia comercial. Durante 28 anos a Banfruty atuou exclusivamente com cinco tipos de banana — nanica, maçã, terra, prata e ouro — e, nos últimos dois anos, ampliou o portfólio para outras frutas, como mamão formosa, manga, melancia, abacaxi e maracujá. A empresa também lançou uma linha de ovos iniciada neste ano.
Na diversificação de produtos, a Banfruty desenvolveu a marca própria de banana chips, Nanikinha, sem gordura trans, lactose ou glúten, e criou a linha Banana Kids — com bandeja de bananas soltas e uma fita para colorir estampada com a mascote Nico — pensada para aproximar crianças acostumadas a ultraprocessados do consumo de fruta in natura.
Atualmente, a distribuidora movimenta entre 400 e 500 toneladas de banana por semana e tem presença em mais de 500 pontos de venda no estado, com exceção da região formada por Ribeirão Preto, Rio Preto e Barretos, que fica a cerca de 600 quilômetros do centro de distribuição. Segundo Diego Oliveira, esse volume deve levar o faturamento da empresa a R$70 milhões em 2026.
Para manter a operação, a Banfruty tem produção própria no Vale do Ribeira, em Registro, e complementa com parcerias em fazendas de diferentes regiões do país, para equilibrar diferenças de safra. Por ora, a empresa não exporta: a logística marítima é pouco viável devido ao shelf life da banana, e os grandes exportadores brasileiros se concentram no Rio Grande do Norte e no Ceará, próximos aos portos com rotas de 11 a 12 dias até a Europa. A empresa avalia, no entanto, o modal aéreo para atender comunidades latinas em cidades como Miami e Nova York, com entrega em menos de 24 horas, movimento que ainda está em estudo e pode avançar nos próximos meses ou no próximo ano.
Um diferencial citado pela empresa é a atuação no ponto de venda, com degustações e exposições para estimular o consumo de frutas de menor giro, como a banana da terra. A presença no Ceagesp funciona mais como estratégia para acompanhar preço e oferta de frutas em que a Banfruty busca se consolidar, além de atender clientes que centralizam compras por praticidade de frete.
Quanto ao aproveitamento de perdas, frutas fora do padrão estético, mas próprias para consumo, são destinadas à fabricação da linha de chips; já frutos que retornam maduros dos supermercados, conforme contratos, seguem para produção de doces.
