Imagens da final de 1970 seguem emocionando torcedores e pesquisadores. Há décadas tentam localizar as gravações originais com as vozes do pool de emissoras que narraram o tricampeonato ao vivo.
As imagens da final da Copa do Mundo de 1970 continuam emocionando torcedores e pesquisadores de futebol. Foi o primeiro Mundial transmitido ao vivo por satélite para todo o planeta, e o tricampeonato da seleção brasileira tornou aquele espetáculo ainda mais inesquecível.
Por décadas, tentei encontrar as gravações originais com as vozes do pool de emissoras que cobriu o torneio. Como do México vinha apenas um sinal único de som e imagem, Walter Abrahão e Oduvaldo Cozzi, os dois da Tupi, Geraldo José de Almeida, da Globo, e Fernando Solera, da Bandeirantes, se revezavam nas narrações das transmissões.
No ano passado, boa parte desse material perdido, com a campanha da seleção, reapareceu. Mesmo assim, permanece uma lacuna importante: por que o segundo tempo completo da final entre Brasil e Itália, na voz de Fernando Solera, continua sumido? O jogo em si não é raro e pode ser revisto em cópias modernas na internet. Entretanto, estou me referindo à gravação original de época, em preto e branco — dessa etapa final, temos somente vinte e dois minutos conhecidos.
Em julho de 1994, durante a Copa nos Estados Unidos, a Record exibiu um compacto de uma hora da final de 1970 com as narrações originais. Por isso, deduzo que exista em seus arquivos a íntegra do segundo tempo (a primeira etapa e o pós-jogo já foram disponibilizados). Faço então um apelo à emissora.
Por favor, Record!
A liberação dessa íntegra representaria uma contribuição inestimável para a memória esportiva do Brasil. Permitir que torcedores e pesquisadores assistam ao duelo entre Brasil e Itália com o som original, exatamente como milhões de pessoas ouviram naquele domingo, 21 de junho, preservaria um capítulo histórico do futebol nacional em sua forma autêntica.
Em registros conhecidos, além do compacto de 22 minutos do segundo tempo, pode-se acompanhar também a cerimônia de entrega da taça Jules Rimet. O capitão Carlos Alberto Torres recebeu o troféu das mãos do então presidente do México, Gustavo Díaz Ordaz, momento que foi narrado com destaque por Geraldo José de Almeida. Em seguida, Oduvaldo Cozzi recebeu as reverências dos colegas, uma vez que estava encerrando a longa carreira de narrador.
Ao final de alguns desses registros, aparecem ainda as propagandas da época — Gillette, Esso e Souza Cruz — e, por fim, a vinheta de encerramento da “Rede Brasileira de Televisão” na voz do saudoso Cid Moreira. A preservação e a disponibilização do segundo tempo completo ajudariam a completar esse quadro histórico e cultural.
Sem a pretendida íntegra em preto e branco, pesquisadores, colecionadores e fãs ficam com apenas fragmentos de um momento que tem valor documental e afetivo para gerações de torcedores.
