Encerrada após 35 dias, a greve da Faculdade de Direito da USP deixou rastros no comércio local. Táxis, restaurantes e livrarias sentiram o baque com a ausência dos estudantes.
A greve da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), encerrada na última sexta-feira, 30 de maio, após 35 dias de paralisação, teve um impacto significativo sobre o comércio na região central de São Paulo, onde a instituição está situada. Os comerciantes locais relataram uma queda acentuada na movimentação, uma vez que muitos de seus clientes são alunos da faculdade.
Desde o início da greve, em 24 de abril, o prédio da faculdade ficou cercado por piquetes, impedindo as aulas da graduação. Essa situação afetou diretamente os serviços de táxi, alimentação e até mesmo a venda de livros, fundamentais para o faturamento dos estabelecimentos no entorno.
“80% dos clientes são alunos”, afirmou uma funcionária de um dos comércios afetados.
Os relatos dos comerciantes revelam o impacto da paralisação. Um proprietário contou que, em dias normais, cerca de 150 pessoas costumavam frequentar seu estabelecimento. Com a greve, esse número despencou para apenas 30. Ele destacou a dificuldade de manter o negócio com um aluguel de R$ 20 mil e a realidade de trabalhar apenas 160 dias letivos por ano, devido a feriados e férias.
A greve também gerou uma mudança no apoio entre os alunos. Um levantamento realizado ao longo da paralisação indicou uma queda de mais de 60% nos votos favoráveis à continuidade da greve. Na primeira assembleia, 902 alunos se mostraram a favor da paralisação, enquanto na votação mais recente esse número caiu para 325. A Faculdade de Direito conta com cerca de 2,5 mil estudantes.
“Cansamos da paralisação”, disseram dois alunos que expressaram preocupação com o conteúdo perdido e as provas que se aproximam.
Em uma pesquisa de opinião realizada na quinta-feira, 28, 766 alunos se manifestaram contra a greve, enquanto 325 estavam a favor. Este foi o primeiro levantamento online sobre o tema, que contrasta com as assembleias presenciais onde muitos estudantes relataram dificuldades para votar.
A adesão à greve estudantil também ganhou força entre os professores da USP, que decidiram iniciar uma paralisação em busca de reajuste salarial. A assembleia da Associação dos Docentes da USP convocou uma nova reunião para o dia 1º de junho. Com isso, mais de 100 cursos da USP, além de 69 na Unesp e 65 na Unicamp, estão sem aulas, ampliando o impacto da greve no setor educacional.


