Painel para transição energética global reunirá cientistas e governos
Painel para transição energética global é o foco de um novo grupo multidisciplinar anunciado no último sábado (25 de abril de 2026), durante a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, Colômbia. Batizado de Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET), o coletivo pretende oferecer recomendações baseadas em evidências para orientar políticas públicas de descarbonização.
Meta é aproximar ciência e decisão política
Formado por especialistas em clima, economia e tecnologia, o SPGET foi apresentado por nomes de destaque da ciência internacional. Entre eles, os brasileiros Carlos Nobre, referência em estudos sobre a Amazônia, e Gilberto Jannuzzi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além do sueco Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático.
Rockström destacou que a transição energética demanda integração entre economia, meio ambiente e justiça social. “A ciência pode servir de ponte entre países que avançam em ritmos diferentes”, afirmou o pesquisador, defendendo o painel como instrumento para consolidar esse diálogo.
Planejamento para os próximos cinco anos
Ao longo de meia década, o SPGET pretende compilar estudos que ajudem cidades, regiões e países a reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis. A proposta inclui elaboração de relatórios técnicos, acompanhamento de políticas e integração com processos multilaterais, a exemplo da COP30, que terá presidência brasileira.
Para Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, o painel devolve protagonismo à pesquisa científica. Ele lembrou que, em reuniões recentes da Convenção do Clima da ONU, relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) perderam influência nas negociações, situação que o SPGET busca reverter.
Conferência de Santa Marta consolida propostas
O lançamento ocorreu paralelamente à Conferência de Santa Marta, que reúne representantes de 57 países e cerca de 4.200 organizações da sociedade civil, povos indígenas, setor privado e academia. Com mais de 50% do PIB global representado, o encontro trabalha em três eixos: transformação econômica, mudanças na oferta e demanda de energia e cooperação internacional.
Segundo a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, a criação do SPGET preenche “uma lacuna histórica” ao dedicar um organismo exclusivamente à superação dos combustíveis fósseis e aos seus impactos sociais e econômicos.
Nos primeiros dias do evento, entre 24 e 27 de abril, foram consolidadas sugestões que orientarão a Cúpula de Líderes, marcada para 28 e 29 do mesmo mês. Entre os resultados esperados estão mecanismos de cooperação entre países e um relatório com diretrizes para acelerar a transição energética.
Expectativa por acordos mais ambiciosos
Para o ativista sul-africano Kumi Naidoo, que lidera a Iniciativa do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis, a conferência oferece oportunidade de construir compromissos mais firmes do que aqueles firmados em edições anteriores da Conferência das Partes (COP). “Precisamos de um acordo justo, ambicioso e vinculativo”, declarou.
Van Veldhoven, ministra do Clima e do Crescimento Verde dos Países Baixos, enfatizou que a volatilidade dos preços de petróleo e gás reforça a urgência da mudança. “Não há momento melhor para iniciar a transição, reduzindo o impacto climático e fortalecendo a independência energética”, pontuou.
Com o SPGET, a comunidade científica espera oferecer subsídios para que governos convertam compromissos climáticos em ações concretas e mensuráveis, impulsionando investimentos em energias renováveis e criando emprego de qualidade no setor verde.
No Giro Pela Bahia, você acompanha outras iniciativas de sustentabilidade e meio ambiente. Continue conosco para se manter informado sobre a transição energética global.
Crédito da imagem: SPGET/Divulgação
Fonte: SPGET/Divulgação
