Nasa prioriza base na Lua e destina US$ 20 bi ao projeto
Nasa prioriza base na Lua ao redirecionar US$ 20 bilhões para a construção de uma instalação permanente na superfície lunar, a ser concluída dentro de sete anos, informou o administrador Jared Isaacman na última terça-feira (24 de março).
Cancelamento do Gateway altera rumos do programa Artemis
Em evento realizado na sede da agência, em Washington, Isaacman confirmou o cancelamento da Gateway, estação que seria instalada em órbita da Lua. Segundo o chefe da agência, os módulos já fabricados pela Northrop Grumman e pela Vantor (antiga Maxar) serão reaproveitados na infraestrutura da nova base.
“Estamos interrompendo o Gateway em sua forma atual para concentrar recursos em operações sustentadas na superfície lunar”, declarou. A decisão impacta contratos bilionários firmados no âmbito do programa Artemis, lançado para recolocar astronautas norte-americanos no satélite natural.
Reaproveitamento de hardware e participação internacional
A adaptação dos componentes concebidos para o espaço profundo a um ambiente de gravidade reduzida exige alterações técnicas significativas. Apesar disso, Isaacman acredita que parcerias internacionais serão mantidas. A agência negocia com a Agência Espacial Europeia (ESA), a JAXA, do Japão, e a CSA, do Canadá, a redistribuição de responsabilidades na futura instalação lunar.
Detalhes sobre a localização exata da base ainda não foram divulgados, mas o Polo Sul da Lua continua sendo o ponto de maior interesse científico, pela presença de crateras permanentemente sombreadas que podem abrigar gelo de água. A agência pretende iniciar a montagem dos primeiros módulos habitáveis até 2031, alinhando o cronograma aos testes bem-sucedidos do foguete Space Launch System e da cápsula Orion.
Concorrência chinesa aumenta urgência do cronograma
O redirecionamento de verbas também leva em conta o avanço da China, que planeja um pouso tripulado em 2030. De acordo com análise da Reuters, a corrida por presença contínua no satélite natural tornou-se estratégica para demonstração de capacidade tecnológica e para a exploração de recursos.
Empresas contratadas pela Nasa precisarão readequar prazos. A Northrop Grumman, responsável por módulos de energia e propulsão, adiantou que revisará o projeto para suportar operações na superfície. Já a Vantor negocia nova configuração interna dos compartimentos de laboratório e habitabilidade.
Próximos passos
O plano revisado será submetido ao Congresso norte-americano nos próximos meses, quando a agência solicitará liberação de verbas adicionais para missões de carga e para o desenvolvimento de veículos de pouso reutilizáveis. Caso aprovado, o cronograma prevê a chegada dos primeiros astronautas à base até o início da próxima década.
No cenário geopolítico atual, a iniciativa reforça a intenção dos Estados Unidos de manter liderança na exploração espacial de longo prazo. A agência também estuda oportunidades de cooperação comercial com empresas privadas para logística e abastecimento de combustível extraído do regolito lunar.
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Crédito da imagem: NASA
Fonte: NASA
