Operação Contenção: PF pede trechos para agilizar perícia
Operação Contenção: a Polícia Federal (PF) requisitou que os 9 mil vídeos captados pelas 504 câmeras corporais da Polícia Militar do Rio de Janeiro sejam remetidos em mídia física e com indicação clara dos trechos de interesse, medida que pode reduzir drasticamente o tempo de análise das gravações.
PF quer mídia física e triagem dos vídeos
A solicitação foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo ligado à ADPF 635, na última quarta-feira (15 de maio). Segundo a PF, o envio dos arquivos no formato original permitirá verificar a integridade do material antes do início da perícia.
Os registros visuais documentam a Operação Contenção, deflagrada em 2025, que resultou em mais de 120 mortes de suspeitos ligados ao Comando Vermelho e de quatro policiais militares. As imagens foram repassadas à PF após decisão de Moraes no mês anterior, que determinou a perícia federal.
Prazo pode cair de três anos com seleção prévia
A corporação federal estimou que, sem qualquer seleção prévia, o exame das aproximadamente 4 500 horas de filmagem – equivalente a quase 188 dias ininterruptos – exigiria cerca de três anos de trabalho, mesmo contando com dez peritos criminais. Caso a Polícia Militar destaque previamente os momentos relevantes, o período de processamento tende a diminuir de forma significativa.
No despacho, a PF reforçou a importância de receber “trechos de interesse objetivamente indicados”, alertando que a ausência dessa triagem comprometeria a celeridade da investigação e, por consequência, o cumprimento das determinações do STF para redução da letalidade policial em comunidades cariocas.
Contexto da ADPF das Favelas
O pedido da PF insere-se na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n.º 635, conhecida como ADPF das Favelas, que desde 2020 impõe diretrizes para operações policiais no estado. Entre as medidas já ordenadas estão o uso obrigatório de câmeras corporais e a preservação de provas audiovisuais.
Com a perícia, a Corte pretende apurar se houve violações de direitos humanos durante a Operação Contenção e, eventualmente, responsabilizar agentes públicos ou integrantes da organização criminosa.
O andamento do caso será acompanhado de perto, pois o resultado da análise poderá orientar futuras ações de segurança no Rio de Janeiro e em outros estados.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
