ONU adia votação sobre uso da força no Estreito de Ormuz
ONU adia votação sobre uso da força no Estreito de Ormuz após o Conselho de Segurança retirar da agenda a análise de uma resolução proposta pelo Bahrein que autoriza “todos os meios defensivos necessários” para garantir a navegação comercial na passagem estratégica.
Bahrein apresenta projeto para proteger rota marítima vital
Presidindo temporariamente o Conselho de Segurança, o Bahrein finalizou, em 2 de abril, um rascunho de resolução que pretende resguardar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz por pelo menos seis meses. A via marítima, situada na costa norte do Irã, liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e responde por cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito.
Resistência de China e Rússia leva ao adiamento
O texto sofreu forte oposição principalmente da China, membro permanente com poder de veto, e da Rússia. Pequim rejeita qualquer menção explícita ao uso da força, argumentando que a medida poderia agravar as tensões regionais. Para contornar críticas, o Bahrein já havia retirado a referência obrigatória à aplicação de força, mas o impasse persistiu, levando à postergação da votação inicialmente prevista para 3 de abril. Diplomatas ouvidos indicam que a deliberação deve ocorrer na próxima semana.
Tensão militar afeta cadeia global de energia
Desde ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã, no fim de fevereiro, Teerã passou a controlar ainda mais rigorosamente a passagem de embarcações, reduzindo drasticamente o fluxo de commodities energéticas. O conflito elevou os preços internacionais do petróleo e provocou gargalos logísticos no fornecimento global.
Interesses estratégicos em jogo
Especialistas consultados apontam que a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel busca conter a expansão econômica chinesa e reafirmar a influência militar no Oriente Médio. A China, maior compradora de petróleo iraniano, mantém parceria estratégica com Teerã e reforça sua posição contrária a uma autorização explícita de força no estreito.
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De acordo com a agência Reuters, o rascunho de resolução continuará em negociação informal entre as delegações antes de retornar à pauta oficial.
O impasse evidencia a disputa de narrativas e interesses no principal órgão de segurança internacional, enquanto o fluxo energético global permanece vulnerável a eventos geopolíticos no Estreito de Ormuz.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
