OEA sobre Venezuela expõe racha continental após ação dos EUA
OEA sobre Venezuela foi o ponto central de uma reunião extraordinária do Conselho Permanente, realizada na última terça-feira (6 de janeiro de 2026), que evidenciou a forte polarização política no continente após a intervenção militar dos Estados Unidos em Caracas e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.
Aliados dos EUA defendem intervenção
Sem deliberações formais ou documentos oficiais, os 35 Estados-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) apenas registraram manifestações individuais. Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador, alinhados a Washington, apoiaram as operações em território venezuelano.
O embaixador argentino Carlos Bernardo Cherniak elogiou “a determinação do presidente dos Estados Unidos contra o narcoterrorismo que afeta a região”. A representante equatoriana Mónica Palencia reforçou que “a paz se constrói com ações decididas”, solidarizando-se às “vítimas da ditadura” venezuelana.
Países contrários destacam soberania
Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras condenaram os bombardeios e o sequestro de Maduro, sublinhando a necessidade de soluções diplomáticas multilaterais. Para o embaixador brasileiro Benoni Belli, os ataques “ultrapassam linha inaceitável e criam precedente extremamente perigoso”. O mexicano Alejandro Encinas classificou a ação como “agressão unilateral que exige reflexão hemisférica pautada no direito internacional”.
Venezuela permanece sem voz na entidade
Mesmo listada como membro oficial, a Venezuela não pôde falar. O país vive um limbo institucional desde 2017, quando anunciou sua saída em resposta às críticas sobre ruptura democrática. Após a eleição presidencial de 2018, a OEA deixou de reconhecer o mandato de Maduro, passando a aceitar, por um período, representantes indicados por Juan Guaidó. Desde então, nenhuma delegação venezuelana foi aceita.
Secretário-geral evita tomar partido
Em declaração maciça, o secretário-geral Albert Ramdin elogiou o multilateralismo regional, reafirmou princípios de soberania e não-intervenção, mas reiterou apoio a uma “transição democrática profunda” na Venezuela. Segundo ele, o hemisfério deve “fortalecer instituições e observar futuros processos eleitorais” no país.
EUA e China trocam acusações
A sessão também refletiu a disputa geopolítica entre Washington e Pequim. O embaixador norte-americano Leandro Rizzuto acusou a China, além de Rússia, Irã e Hezbollah, de tentar controlar os recursos naturais venezuelanos, citando a maior reserva de petróleo do mundo. A diplomata chinesa rebateu, classificando as declarações como “injustificadas e falsas” e afirmou que o uso da força pelos EUA “viola gravemente o direito internacional”.
Para mais detalhes institucionais sobre a entidade, consulte o site oficial da Organização dos Estados Americanos (OEA), considerado referência em assuntos hemisféricos.
O impasse demonstrou que, apesar do consenso sobre a necessidade de estabilidade democrática, o continente permanece dividido quanto aos meios de alcançá-la. Enquanto parte dos membros legitima a ação armada, outra parcela defende rigorosa observância do direito internacional.
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Crédito da imagem: Juan Manuel Herrera/OEA
Fonte: Agência Brasil/EBC
