África do Sul no G20: Lula rejeita veto dos EUA foi a mensagem principal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao comentar, em Hanôver, na Alemanha, a ameaça norte-americana de barrar a participação sul-africana no próximo encontro do grupo das maiores economias do mundo.
Presidente critica medida anunciada por Donald Trump
Lula classificou como “sem fundamento” a declaração de Donald Trump de que não convidaria o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, para a cúpula prevista para novembro, nos Estados Unidos, país que exerce a presidência rotativa do fórum em 2026. Segundo o líder brasileiro, Washington “não tem o direito nem o poder” de excluir um membro fundador.
O chefe do Executivo brasileiro relatou ter conversado com Ramaphosa “na semana passada” e o aconselhou a comparecer à reunião “não como convidado, mas como fundador”. Para Lula, ceder à pressão abriria precedente perigoso: “Se tiram a África do Sul hoje, amanhã podem tirar a Alemanha, depois o Brasil”.
Acusações de “genocídio branco” são rebatidas
Trump sustenta que a recente reforma agrária aprovada em Pretória geraria “genocídio de fazendeiros brancos”, argumento refutado por organizações internacionais de direitos humanos. Lula reafirmou que tais alegações “são inverídicas” e alertou que a exclusão enfraqueceria o caráter multilateral do G20, criado em 2008 para coordenar respostas à crise financeira global.
Especialistas em governança global, como os consultados pela Chatham House, lembram que o regulamento interno do G20 não prevê expulsão de membros sem consenso unânime, o que torna juridicamente inviável um veto unilateral.
Agenda europeia de Lula
A declaração ocorreu após reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz. Antes, o presidente passou pela Espanha e seguirá para Portugal, em roteiro voltado a reforçar parcerias comerciais e articular posições comuns para a cúpula de novembro.
No encerramento da entrevista, Lula ressaltou que continuará a defender a presença de todos os membros originais: “O G20 nasceu para resolver problemas econômicos globais; excluir quem quer que seja contraria seu próprio propósito”.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert / PR
Fonte: Agência Brasil
