Papa Leão XIV lamenta condições dos palestinos em Gaza em sermão de Natal
Papa Leão XIV lamenta condições dos palestinos em Gaza em sermão de Natal, destacando as dificuldades enfrentadas por milhares de civis que vivem em tendas expostas à chuva, ao vento e ao frio desde o último cessar-fogo entre Israel e Hamas, firmado em outubro de 2025.
Pontífice norte-americano faz apelo humanitário
No primeiro Natal de seu pontificado, celebrado em 25 de dezembro de 2025 na Basílica de São Pedro, o pontífice — o primeiro dos Estados Unidos a chefiar a Igreja Católica — quebrou o tom tradicionalmente litúrgico para dirigir um pedido direto em favor da população de Gaza. Ele relembrou que Jesus nasceu em um estábulo, “armando sua frágil tenda entre nós”, e questionou: “Como, então, podemos não pensar nas tendas em Gaza?”.
Desde o acordo de cessar-fogo firmado em outubro, após dois anos de bombardeios, agências humanitárias alertam que a assistência chega de forma insuficiente ao território palestino, onde quase a totalidade dos moradores permanece desalojada. De acordo com dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, a distribuição de alimentos e abrigo continua muito abaixo do necessário.
Migrantes e refugiados também foram lembrados
Durante a tradicional bênção “Urbi et Orbi”, o papa ampliou o apelo às crises migratórias, lamentando a situação de pessoas que “atravessam o continente norte-americano” em busca de segurança e melhores condições de vida. Sem citar diretamente autoridades, Leão XIV reforçou que negar ajuda a pobres e estrangeiros equivale a rejeitar o próprio Deus — mensagem repetida na homilia da véspera de Natal.
Conflitos globais sob crítica
Leão XIV pediu o fim de todas as guerras e citou especificamente as nações devastadas por confrontos recentes. Ele mencionou Ucrânia, Sudão, Mali, Mianmar, Tailândia e Camboja, lamentando as “feridas abertas” que esses embates deixam. Sobre a tensão na fronteira tailandesa-cambodiana, que já provocou mais de 80 mortes, apelou para que a “antiga amizade” entre os países seja restaurada em favor da reconciliação.
O papa destacou ainda a situação de jovens soldados que, “na linha de frente, sentem a insensatez do que lhes é pedido”, e se solidarizou com pessoas em situação de rua ao redor do mundo. Segundo ele, a fragilidade humana exposta em cada um desses cenários reforça a urgência de respostas concretas da comunidade internacional.
Primeiro Natal e novo estilo diplomático
Eleito em maio de 2025 pelos cardeais, Leão XIV sucede o papa Francisco e tem adotado estilo mais contido em questões políticas. Mesmo assim, já havia criticado a repressão migratória do governo norte-americano e defendido, em declarações anteriores, a criação de um Estado palestino como solução para o conflito de décadas no Oriente Médio.
Ao fim das celebrações natalinas, o pontífice reiterou o convite ao diálogo “sincero, direto e respeitoso”, pedindo envolvimento ativo da comunidade internacional para mediar paz duradoura em zonas de conflito.
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Crédito da imagem: Reuters/NurPhoto
Fonte: Agência Brasil
