Invasão dos EUA a Cuba preocupa filha de Che Guevara
Invasão dos EUA a Cuba é a possibilidade que, segundo a médica Aleida Guevara, paira sobre a ilha caribenha em razão do comportamento “imprevisível” do então presidente norte-americano Donald Trump, afirmou a filha de Che Guevara durante passagem pelo Brasil em maio de 2026.
Invasão dos EUA a Cuba preocupa filha de Che Guevara
Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Aleida afirmou que o povo cubano “sabe que pode ser atacado a qualquer momento”. Para ela, a falta de critérios claros por parte de Washington aumenta o sentimento de alerta permanente. “Esperemos que a loucura não chegue ao extremo”, declarou, citando a frase de Fidel Castro: “Quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme”.
Bloqueio econômico e crise energética
A médica de 65 anos relatou que, à época, o endurecimento do embargo norte-americano deixou Cuba três meses sem receber petróleo, provocando fornecimento intermitente de energia e, em algumas províncias, interrupções de até 72 horas. De acordo com ela, o objetivo do bloqueio, mantido há mais de seis décadas, é minar o apoio popular ao governo, mas tem produzido o efeito inverso. “A maioria da população sabe perfeitamente quem é o inimigo”, disse.
Solidariedade internacional
Aleida destacou ações de governos e entidades civis que ajudaram a mitigar os efeitos do embargo. Citou a administração mexicana, que enviou navios com alimentos, e a Rússia, que despachou carregamentos de petróleo mesmo sob sanções ocidentais. Organizações sindicais brasileiras e ex-alunos da Escola Latino-Americana de Medicina também encaminharam medicamentos e suprimentos. Segundo relatório da ONU, o bloqueio norte-americano já causou prejuízos bilionários ao país caribenho.
Democracia sob debate
Questionada sobre críticas à ausência de democracia em Cuba, Aleida defendeu o sistema político da ilha. Para ela, democracia significa “poder do povo” e, nesse sentido, o modelo cubano garantiria maior participação popular do que o de nações ocidentais. “Quando o povo brasileiro entender o que é democracia de verdade, perceberá que, em Cuba, existe uma democracia popular e aberta”, afirmou.
Peso do legado familiar
A médica contou que conviveu pouco com o pai, morto na Bolívia em 1967, mas que a mãe, Aleida March, manteve vivo o legado do revolucionário. “Não tínhamos privilégios materiais, mas fomos privilegiados pelo carinho do povo cubano”, lembrou. Segundo ela, a memória de Che segue presente principalmente entre as crianças.
Compromisso com o retorno a Havana
Aleida veio ao Brasil para participar do 4º Encontro do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), onde discutiu reforma agrária e soberania alimentar. A médica, no entanto, manteve a viagem curta porque quer estar em Havana caso ocorra uma escalada militar. “A pior coisa que poderia me acontecer é meu país ser atacado e eu não estar lá”, afirmou.
Apesar do cenário adverso, ela acredita que a solidariedade internacional e a consciência política da população sustentam o projeto iniciado em 1959. “Sem educação e consciência, não há liberdade. Nosso povo foi educado para defender a Revolução”, concluiu.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
