Artemis 2 iniciou um capítulo inédito na exploração espacial ao ultrapassar, em 6 de abril, a marca de 248 mil milhas (cerca de 400 mil km) da Terra, anteriormente detida pela Apollo 13 desde 1970.
Recorde renovado a caminho do lado oculto da Lua
Em seu sexto dia de viagem, a cápsula Orion alcançou 252.755 milhas (aproximadamente 407.000 km) de distância do planeta, estabelecendo um novo parâmetro para missões tripuladas no espaço profundo. O feito foi protagonizado pelos astronautas norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen. A trajetória aproveita a gravidade lunar para impulsionar a nave numa rara aproximação do lado que a Lua mantém permanentemente fora de nosso campo de visão.
Homenagens e batismo de crateras lunares
Durante o percurso, a tripulação dedicou parte do tempo a nomear formações ainda sem designação oficial. Hansen sugeriu batizar uma cratera como “Integrity”, em referência ao nome dado à Orion, enquanto outra recebeu provisoriamente o nome “Carroll”, homenagem à falecida esposa de Wiseman. A comunicação foi marcada por emoção e por uma saudação póstuma do astronauta Jim Lovell, gravada antes de sua morte aos 97 anos, relembrando os dias das missões Apollo.
Missão-testes abre caminho para futuro pouso humano
Artemis 2 faz parte de uma série multibilionária de voos planejados pela Nasa para restabelecer a presença humana na superfície lunar até 2028. O programa prevê a construção de uma base permanente que servirá como laboratório para missões ainda mais ambiciosas, inclusive rumos a Marte. A última vez em que astronautas caminharam na Lua ocorreu em 1972, na Apollo 17. Desde então, nenhuma viagem tripulada havia se aproximado tanto do satélite natural.
Sobrevoo, blackout e coleta de imagens
No ponto de maior aproximação, a Orion deve viajar a cerca de 6.400 km acima da face oculta, enfrentando breves interrupções de comunicação enquanto a Lua bloqueia a Rede de Espaço Profundo da agência. Equipados com câmeras de alta definição, os astronautas captarão fotografias raras da superfície iluminada lateralmente pelo Sol e do horizonte lunar encobrindo a pequena silhueta azul-esbranquiçada da Terra.
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Uma equipe de cientistas no Centro Espacial Johnson, em Houston, acompanhará ao vivo os relatos da tripulação, registrando impressões sobre crateras, rochas e variações de luz. As observações devem contribuir para o mapeamento de locais de pouso e para estudos sobre recursos lunares.
Próximos passos até o pouso em 2028
Caso todos os sistemas se comportem conforme previsto, a Orion regressará à Terra após cerca de dez dias de missão, amerissando no Oceano Pacífico. O êxito de Artemis 2 é considerado decisivo para a fase seguinte, Artemis 3, planejada para levar a primeira equipe a pisar no polo sul lunar, onde se acredita haver água congelada em crateras permanentemente sombreadas.
Com o novo recorde, Artemis 2 consolida a retomada da corrida lunar e reforça os planos dos Estados Unidos de manter liderança no espaço. Para acompanhar outras atualizações sobre exploração espacial e notícias de ciência, visite a editoria Internacional e continue informado.
Crédito da imagem: Nasa
Fonte: Nasa
