Petróleo da Venezuela não pode ficar com adversários, afirma EUA — Na última terça-feira (6 de janeiro), durante reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador norte-americano Leandro Rizzuto declarou que a maior reserva de petróleo do planeta “não pode permanecer sob controle de adversários do Hemisfério Ocidental”.
Petróleo da Venezuela não pode ficar com adversários, afirma EUA
Rizzuto reforçou que Washington vê a Venezuela como parte “da nossa vizinhança” e afirmou que não permitirá que o país se transforme em plataforma para Irã, Rússia, Hezbollah, China e serviços de inteligência cubanos. Segundo o diplomata, os lucros do petróleo venezuelano deixam de beneficiar a população local e financiam governos considerados hostis.
Ele negou que os Estados Unidos tenham invadido a nação sul-americana. De acordo com Rizzuto, a operação que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, “apenas executou uma ordem judicial de indiciamento criminal” e, por isso, “removeu o principal obstáculo para a democracia”. O embaixador pediu ainda a libertação imediata de aproximadamente mil prisioneiros políticos detidos em território venezuelano.
No dia anterior, em sessão do Conselho de Segurança da ONU, o representante norte-americano Michael Waltz reiterou que o governo dos EUA não está em guerra nem ocupa a Venezuela. Ele classificou a ação como “de caráter jurídico, facilitada pelas Forças Armadas”, afastando a ideia de intervenção militar tradicional.
Durante a operação, militares dos EUA retiraram Maduro e sua esposa do Palácio de Miraflores, em Caracas. Houve confrontos que deixaram mortos entre membros da segurança presidencial e explosões na capital. O casal foi transferido para Nova York e levado, na segunda-feira, ao Tribunal Federal do Brooklyn para audiência de custódia.
Acusado de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado, Maduro declarou-se inocente e disse ser “prisioneiro de guerra” e “homem decente”. Ambos permanecem detidos em presídio federal no bairro nova-iorquino.
Questionamentos sobre a legalidade da operação surgem em diferentes organismos internacionais. Relatório recente da Organização das Nações Unidas aponta possível violação ao princípio da soberania estatal, embora o governo norte-americano sustente ter agido dentro da lei.
Para especialistas, o controle das vastas reservas venezuelanas mantém-se no centro do debate geopolítico. Dados da Agência de Informação de Energia dos EUA mostram que a Venezuela detém cerca de 303 bilhões de barris provados, superando Arábia Saudita e Canadá.
No encerramento da reunião da OEA, Rizzuto reiterou que Washington “buscará garantir um futuro democrático” para o país vizinho e continuará pressionando por eleições livres.
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Crédito da imagem: Juan Manuel Herrera/OAS
Fonte: Agência Brasil
