A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo abriu um Procedimento Preparatório para apurar suposta abordagem irregular a um motorista. A coligação Desperta São Paulo pediu explicações sobre o episódio em 11 de agosto.
O Ministério Público Federal (MPF), através da Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo, aceitou um pedido para a instauração de um Procedimento Preparatório Eleitoral. A medida visa que a Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo apresentem justificativas e informações sobre uma suposta abordagem irregular a um motorista do candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT).
O pedido foi realizado pela Coligação “Desperta São Paulo”, que apoia a candidatura de Haddad. A abordagem teria ocorrido no dia 11 de agosto, quando o motorista do candidato foi seguido por uma viatura até um hotel, onde a Polícia Militar supostamente solicitou a sua saída do local sem apresentar justificativas.
O documento determina que o Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, apresente informações sobre o acontecido, especialmente a respeito das autorizações relacionadas ao patrulhamento na área em questão.
O MPF também requer que a PM informe qual batalhão é responsável pelo bairro onde ocorreu a abordagem, além de delimitar a área e descrever as ordens recebidas pelos agentes. A identificação da viatura envolvida e dos policiais que participaram da ação também deve ser fornecida. Além disso, o MPF solicita que o hotel em questão envie as imagens das câmeras de segurança do dia da abordagem, tudo dentro do prazo de cinco dias.
Fernando Haddad relatou que seu motorista foi alvo de uma abordagem “fora do padrão” e de perseguição por parte da PM na noite do dia 11. De acordo com o candidato, o incidente ocorreu após o motorista deixá-lo em sua residência, na zona sul de São Paulo. Haddad tomou conhecimento do ocorrido na manhã seguinte e, em conversa com a imprensa, optou por não revelar a identidade do motorista, que, segundo ele, estava abalado.
“Estava abalado até hoje de manhã”, afirmou o candidato.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) declarou que solicitou à PM que identificasse as equipes envolvidas e que apurasse as circunstâncias do incidente. O secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, também entrou em contato com Haddad para obter mais informações sobre o trajeto e a situação reportada.
O ex-ministro havia acabado de retornar de um compromisso na Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo, e comentou sobre a maneira como a viatura da PM se aproximou de forma estranha, “emparelhando” e “ficando colada” na parte traseira do veículo que era conduzido pelo seu motorista. Durante o percurso, o motorista entrou em um estacionamento de hotel, onde, segundo os relatos, os policiais direcionaram lanternas para o interior do carro, após Haddad já ter saído do veículo.
“Uma coisa é pedir para parar, pedir documento. Mas não foi isso”, expressou Haddad.
O candidato alegou que revelou publicamente o ocorrido por preocupação, considerando a abordagem policial excessiva, mas ponderou que acreditava na boa-fé dos agentes de segurança. Ele ressaltou que, ao não tornar o fato público, poderia haver dificuldades na investigação de possíveis abusos.
A PM, por sua vez, iniciou uma investigação preliminar para apurar as divergências entre o relato do motorista e as informações obtidas durante a apuração inicial. A SSP deu início à investigação na tarde do dia 12, assim que teve conhecimento do caso, analisando imagens de aproximadamente 40 câmeras de segurança ao longo do percurso indicado pelo motorista. Até o momento, não foram encontrados indícios de abordagem ou conduta inadequada por parte dos policiais.
A SSP informou que a investigação está em andamento e, caso sejam identificados indícios de irregularidades, o procedimento poderá ser convertido em inquérito.
