Faleceu em 19/09/2026, em São Paulo, aos 77 anos, o sanitarista Paulo Roberto Teixeira. Nascido em Álvares Machado, atuou por mais de 40 anos na formulação de políticas de HIV/Aids.
O médico sanitarista Paulo Roberto Teixeira morreu no dia 19 de setembro de 2026, aos 77 anos, em São Paulo. A causa da morte não foi informada.
Teixeira foi o responsável pela criação, em 1983, do primeiro programa público de combate à aids no país, no Estado de São Paulo, e teve papel relevante na construção de políticas nacionais de prevenção e de tratamento do HIV/Aids ao longo de mais de quatro décadas de atuação na saúde pública.
Nascido em Álvares Machado (SP), formou-se em Medicina pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu. Especializou-se em dermatologia pela Escola Paulista de Medicina e em saúde pública pela Universidade de São Paulo (USP).
Antes de se dedicar ao enfrentamento da epidemia, trabalhou na Divisão de Hansenologia e Dermatologia Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, desenvolvendo ações de assistência a pessoas com hanseníase. Em 1983, após mobilização de representantes da comunidade gay e de profissionais de saúde, assumiu a coordenação da resposta do governo paulista à epidemia e dirigiu o Programa Estadual de DST/Aids em diferentes períodos até 1996.
No período em que esteve à frente do programa estadual, o Estado de São Paulo criou o Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, em 1988, e, em 1989, tornou-se o primeiro do país a oferecer na rede pública o zidovudina, o primeiro medicamento antirretroviral aprovado no mundo para o tratamento do HIV e da Aids.
Em 2000, Teixeira assumiu a Coordenação Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. No cargo, participou de negociações para reduzir o preço dos antirretrovirais e defendeu o licenciamento compulsório de medicamentos como instrumento para ampliar o acesso ao tratamento.
Sua atuação teve também dimensão internacional. Atuou como consultor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). Em 2003, assumiu a direção do Departamento de HIV/Aids da Organização Mundial da Saúde (OMS), participando de uma estratégia cujo objetivo era levar tratamento a 3 milhões de pessoas até o fim de 2005.
Ao longo da carreira, Teixeira participou de negociações internacionais para ampliar o acesso aos medicamentos antirretrovirais e deixou registro por ter integrado instâncias nacionais e internacionais voltadas ao enfrentamento da epidemia. A trajetória dele inclui ações de assistência, políticas públicas e negociações que marcaram a resposta ao HIV/Aids no Brasil e internacionalmente.

