CPMI do INSS ouve contador sobre empresas que receberam R$ 2 bi Durante sessão realizada em 27 de novembro de 2025, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social colheu o depoimento de Mauro Palombo Concílio, contador de quatro empresas suspeitas de recolher mensalidades associativas de aposentados sem autorização.
Contratação e fluxo de dinheiro
Mauro Palombo relatou que, em dezembro de 2022, foi contratado para abrir as empresas e, no mês seguinte, assumiu a contabilidade delas. Segundo ele, os contratos previam recebimento coletivo das contribuições de beneficiários do INSS. Entre dezembro de 2022 e dezembro de 2023, o contador afirmou ter faturado pouco menos de R$ 2 bilhões em honorários.
Suspeita de lavagem de dinheiro
Questionado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), Palombo negou ter encontrado indícios de lavagem de dinheiro nos extratos bancários que acompanhou e afirmou não ter feito comunicações ao Coaf. Mesmo assim, Gaspar destacou que R$ 794 milhões circularam pelas contas sob a responsabilidade contábil do depoente.
Clientes investigados pela comissão
O contador confirmou prestar serviços a nomes citados na investigação, incluindo o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e sua esposa, Thaisa Hoffmann Jonasson, suspeita de movimentar ao menos R$ 18 milhões. Também constam na sua carteira o advogado Eric Douglas Martins Fidelis, o ex-dirigente da Aasap Igor Delecrode e o empresário João Carlos Camargo Júnior, conhecido como “alfaiate dos famosos”. Palombo disse não conhecer o suposto operador do esquema, Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, nem os empresários Maurício Camisotti e Nelson Wilians.
Críticas à fiscalização e próximos passos
Para o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), o caso revela “uma organização criminosa muito bem estruturada” que se aproveitou da fragilidade de órgãos de controle. O parlamentar citou falhas da Advocacia-Geral da União, Controladoria-Geral da União e Coaf, responsáveis por monitorar movimentações financeiras suspeitas. Segundo Viana, as últimas audiências da primeira fase da comissão estão marcadas para 1º e 4 de dezembro de 2025, quando será discutida proposta legislativa voltada a proteger aposentados.
Em reportagem recente, o Portal do Senado Federal detalhou as etapas finais da CPMI e reforçou a intenção de endurecer regras contra descontos indevidos.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
